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domingo, 28 de setembro de 2014

Análise [14] - Danganronpa 2: Goodbye Despair - A diferença entreEsperança e Desespero está na dose



Já deixo o aviso: tirei fotos de alguns trechos do jogo, mas tô com preguiça de fazer crop nelas. Largue a mão de ser chato e aproveite a análise!

Pra quem já viu a nossa análise do primeiro Danganronpa (da época que o jogo só tinha a tradução por fãs da Zetsubou Project) sabe que eu virei um fã instantâneo da série. Mesmo que tenha tudo começado com o anime que começou bem adaptado, mas depois ficou corrido (DEMAIS), Danganronpa me surpreendeu em todos os sentidos. O que antes mais parecia uma tentativa de exagerar o que já é exagerado em Phoenix Wright acabou abrindo horizontes para uma narrativa que vai muito além do simples "resolva esse caso, aqui estão os fatos e evidências", mas de uma história que vai a um confronto bem mais elementar na natureza humana, onde todos duvidam de todos num ambiente onde deve-se matar para ter uma chance de sobreviver, mas que na verdade são os laços humanos e a cooperação entre eles que dão a chance de lutar "contra o sistema" (você pode interpretar isso como uma coisa menos "revolta", tá?)

Mas bom, disso aí você já sabe se você já jogou o jogo anterior. Bem, então a continuação ensina simplesmente a mesma coisa? CLARO QUE NÃO, ISSO NÃO É CALL OF DUTY!

Danganronpa 2 é incrível pois ele começa como se fosse um novo jogo no mesmo universo, ou mesmo uma side-story que acontece com a Kibougamine Gakuen (Hope's Peak Academy, em inglês) em algum ano ou lugar diferente... até você encontrar a Monomi e virar tudo de cabeça pra baixo... e então encontrar referências engraçadas ao jogo anterior... e daí você passa quase meia hora no jogo e se pergunta "Caramba, isso ainda é o Danganronpa que eu tanto gosto?"... E DAÍ BOOM, todos são surpreendidos novamente quando quase nada do jogo anterior é citado... o que deixa você confuso, mas ao mesmo tempo feliz por ter um conteúdo tão único e imprevisível como foi a primeira vez que você jogou o primeiro jogo e caiu na mágica e vício de sua narrativa e progressão.

Mas bem, vamos encerrar a introdução por aqui senão não vou me conter. Vamos à análise!

História e Rotas
O protagonista desta vez é Hajime Hinata, um garoto que sempre quis estudar na Kibougamine Gakuen, admirando-a por toda a sua vida por ser um lugar onde, uma vez lá dentro, você estará feito na vida. Empresas virão atrás de você e vão lhe dar um emprego dos sonhos, ou se você quiser abrir seu próprio negócio, seja lá qual for o ser talento supremo, você vai suceder. Afinal, pra você entrar, você tem que ser excepcional em alguma coisa, que é basicamente o seu tal talento supremo, tanto que os estudantes sempre são conhecidos como supremo-alguma-coisa (ultimate em inglês, chou-koukoukyuu em japonês). Ou isso, ou ser sorteado numa loteira que rola no mundo inteiro para eleger o "supremo sortudo", caso do nosso protagonista, aparentemente.

De repente, Hinata acaba por conhecer seus novos colegas de classe, que por vez conhecer o que seria o novo... hum... nova professora deles... que se chama Usami, por ser um coelho de pelúcia rosa misturada com mahou shoujo (sério)... que do nada traz todos os estudantes para uma ilha tropical paradisíaca, onde o único objetivo é, pura e simplesmente, aproveitar os dias de sua juventude por lá, serem amiguinhos felizes e relaxar.

"Yare yare"
Todo mundo (até eu) fica confuso nesse ponto, mas depois de uma meia hora de jogo você acaba engolindo aquilo tudo (pelo menos os estudantes do jogo), mas, quando o tempo fecha, há a entrada genial do grande e único Monokuma, mesmo do jogo original, que dá uma coça na Usami e a transforma em Monomi (sim, ele arranca um olho dela) e transforma o jogo na típica Vida Escolar da Morte famosa no primeiro jogo: se os estudantes quiserem sair da ilha, eles vão ter que matar um de seus coleguinhas do jeito mais perfeito possível. Depois de um tempo de investigação e um tribunal de classe, se ninguém conseguir achar quem matou a vítima ou fazer a escolha errada, o verdadeiro culpado sai da ilha e o resto é punido. Para sobreviverem, deve-se chegar no culpado certo, para que assim só ele seja punido pelos seus atos.

O jogo conta com seis capítulos lotados de história, onde pouco a pouco acaba esclarecendo as dúvidas dos estudantes, como porque eles não lembrarem de entrar na sala onde todo mundo se encontra com todo mundo, mas abrindo muitas outras perguntas como se Hinata tinha algum talento supremo, se Monokuma e Monomi estão trabalhando juntos, e até mesmo quem é o "infiltrado" dentro do grupo de estudantes. Algumas respostas demoram bem mais que outras, mas acredite, é um passeio numa puta montanha-russa foderosa.

Traços, Trilha Sonora e Animação
... Na praia? Menina corajosa, hein!
Sinceramente, não há nada de diferente de quem está acostumado com o primeiro jogo. Sendo modelado na mesma engine e, originalmente, sendo lançado para PSP (assim como o primeiro jogo também), não havia como melhorar mais uma engine daquelas a menos que você deixasse de usar uma engine especializada para visual novels. Até mesmo os tribunais de classe funcionam de maneira idêntica a antes, com exceção, claro, dos novos mini-games, tanto dentro dos tribunais quanto nos modos fora do jogo (isso é papo pra minha opinião).

Por ser uma versão para o Vita, que tem um hardware consideravelmente melhor, temos uma experiência quase que lag-free, rarissimamente travando ou dando problemas. Além disso, também tem suporte para o touchscreen frontal e traseiro em alguns minigames, mas fora isso, não tem tanta diferença quanto foi minha experiência no PSP, apesar de mais cômodo se fosse dizer uma vantagem.

Acredite se quiser, foi uma referência ao jogo Kira*Kira (a música Kimi no Moto he)
Quanto às músicas, temos várias músicas iguais do jogo anterior e algumas músicas novas. Elas têm uma vibe bem similar, mas ao mesmo tempo têm um tom original neles, dando uma sensação nostálgica bem legal. Claro, estamos falando de músicas de um mesmo compositor das músicas originais do primeiro jogo, então pode ter gente que critique isso, mas por mim, eu gostei bastante do trabalho realizado, já que não foi algo como "copia o ritmo, muda as notas". Algumas músicas genuinamente te deixa relaxado como se estivesse numa ilha tropical mesmo, ou mesmo sentindo a mesma aflição dos personagens do jogo. E claro, temos as músicas com guitarras, que pra mim são as melhores e mais cheias de emoção. Ah, e uma dica, jogue com um fone de ouvido bom, garanto que você vai aproveitar bem mais as músicas assim.

Na dublagem, mesmo sendo quase exclusiva para os tribunais de classe, é extremamente bem trabalhada, diria até que mais que no jogo anterior por terem personagens ainda mais peculiares e certas seiyuus famosas, como a Ai Kayano (Akane, de Kanojo ga Flag wo Oraretara, Shiro de No Game No Life), Miho Arakawa (Himari, de Mawaru Penguindrum) e, claro, Hanazawa Kana (Nadeko de Bakemonogatari, Kanade de Angel Beats, Marie de Persona 4 Golden Animation), que dubla a garota mais fofoda do jogo, Chiaki Nanami (TIREM OS OLHOS, SEUS PUTOS!).

Sério, referência até nos livros da série Guia Mangá? CARALHO, QUE GÊNIO!
Opinião

As similaridades deste jogo com o jogo anterior da série são grandes, admito, mas se você acha que a experiência é a mesma ou é repetitiva para quem já jogou o jogo anterior, você está muito enganado. Danganronpa 2 começa (e fica, por muito tempo) como um jogo independente, onde tanto um jogador novato quanto um mais veterano à série pode jogar sem qualquer problema e sem medo de não entender o que está acontecendo. Apenas lá beeeeeeeeeeem pro final que, na verdade, tem uma ligação entre os dois jogos que passa além do simples tribunal de classe que tem o mesmo sistema e progressão.

Afinal, o mais interessante disso é que o jogo muitas vezes referencia o jogo anterior de jeitos bem engraçados, não no sentido de dar spoiler pesado, mas no sentido de já ir revelando coisas nas primeiras horas de jogo quando o jogo anterior só revelava bem pra frente. Pode soar frustrante, mas não é nem um pouco, uma vez que refresca a memória dos jogadores e também abre caminhos para a solução de outros mistérios ainda maiores. Falando em referência, essas com certeza são as partes mais engraçadas do jogo, onde há célebres cenas ou falas que claramente foram usadas em obras mais famosas. Animes shounen, jogos clássicos e atuais, uma sátira com a indústria de eroges e visual novels tradicionais, termos otakus jogados aqui e ali, e até referências com outros jogos (tem até de God of War, é só jogar com o áudio em japa que você descobre) são apenas algumas das coisas que realmente fazem o ritmo do jogo ficar mais agradável e menos depressivo do que aparenta ser... isso, além das piadas que ocorrem entre os personagens, algumas genuinamente engraçadas.

O tribunal de classe continua dividido em etapas semelhantes ao do jogo anterior: Make Your Argument faz você achar controvérsias (ou mesmo concordar com certas frases, algo novo aqui) com as evidências corretas, Improved Hangman's Gambit faz você adivinhar uma palavra-chave ao acertar diferentes letras (e ô mini-game difícil do cassete pra se jogar no final do jogo!), Panic Talk Action faz você "destruir" escudos do seu oponente e revidar seus argumentos com uma evidência, e o Closing Argument é a minha parte favorita, onde tudo se encerra ao recapitular o homicídio em forma de mangá. Além disso, dois novos mini-games foram adicionados: Rebuttal Showdown, onde você deve atacar precisamente as palavras que uma pessoa diz para ganhar credibilidade em algumas asserções suas (como se fosse um oponente dando um "Objection!" na sua cara), e o Logic Dive, onde você controla um surfista prateado e responde certas perguntas referentes ao caso para deduzir alguma coisa e progredir no debate. São boas adições, além de agora haverem pausas em cada tribunal para relembrar o jogador de salvar e deixar o suspense subir ainda mais, algo bem interessante.

Em se tratando da história em si, não quero dar spoilers (ou, no mínimo, não quero dar spoilers de partes significativas), mas acredite, mesmo pra aquele(a) personagem pau no rabo que você odeia durante o jogo inteiro ou para a sua futura nova waifu/hasubando que você paga pau pra cassete, nada livra ninguém de suspeitas quando chega a hora da verdade, por mais suspeito que ele pareça ser no começo ou por mais boazinha que ela possa ser com o protagonista. Tudo isso mexe até com o psicológico do jogador (qual jogo melhor pra retratar isso que Virtue's Last Reward, hein?), que sempre vai ter provas ou motivos para suspeitar de tal pessoa, mas que na verdade vai estar caindo no plano do Monokuma de nunca confiar em ninguém, o que deixaria os estudantes todos isolados entre si e impossibilitaria o trabalho de equipe para sair da ilha de outra forma. Apesar de possuir apenas um final, lembre-se, o jogo é imprevisível em todos os momentos (eu diria que no capítulo 4 e 5 ficam menos imprevisível por reduzir o número de estudantes vivos, mas ainda assim), logo, não espere a mesma solução "copiada" do jogo original.

O jogo rende umas boas 30 horas fácil nas mãos dos jogadores que realmente querem aproveitar o universo da trama principal, mas se ainda assim você acha que é pouco, você ficará mais que feliz em saber que a história não acaba no final.

"Hã?"

Depois de completar a história principal, ainda há mini-games com a Monomi, que dá uma ou duas horas de diversão extra e esforço para platinar, um modo de jogo alternativo caso a Monomi derrotasse o Monokuma (e até é interessante, pois no final tem diálogos exclusivos, e alguns até impressionantes, dos personagens, mesmo pra mim parecendo um dating-sim disfarçado), e até uma versão digital traduzida da light novel Danganronpa IF, que conta o que ocorreria caso Ikusaba Mukuro sobrevivesse no jogo original (spoiler? Onde?). Isso sem contar a quantidade de coisa que tem pra comprar com os monocoins obtidos no final dos tribunais de classe, que compram desde presentes que podem ser dados aos personagens para obter Hope Fragments mais facilmente (e pra platinar o jogo) até liberar eventos, CGs, músicas e filminhos do jogo para você ver a hora que quiser.

Bom, dito isso, o jogo também tem algumas falhas, como ter alguns (poucos) erros de gramática inglesa aqui e ali, algumas CGs cujos escritos não foram traduzidos pro inglês em alguns flashbacks dos tribunais (sim, é confuso), e a horrível tradução para o inglês, totalmente inexpressiva perto da dublagem original. Há quem diga que o final do jogo também deixa a desejar por acontecerem algumas coisas não tão legais ou mesmo injustas, mas acredite, o FINAL final mesmo, no sentido das cenas antes dos créditos rolarem e do epílogo, até que passa uma mensagem bem massa, mesmo que deixando coisas sem respostas ou duvidosas.

Veredito Final
- Pontos Fortes 
      *História ainda melhor que do primeiro jogo
      *Personagens únicos e imprevisíveis
      *Quantia ignorantemente grande de referências à games, animes, visual novels e cultura otaku
      *Tribunais de classe continuam extremamente viciantes e imprevisíveis
      *Novos sub-modos nos tribunais de classe dão novo fôlego à série
      *Impressionante capítulo final
      *Muito conteúdo mesmo fora do jogo principal

 - Pontos Fracos
      *Alguns erros em diálogos onde o texto "vaza" da tela (não aparece por completo)
      *Infelizmente a maioria dos diálogos falados também só estão nos tribunais de classe
      *Dublagem em inglês é simplesmente frustrante
      *Algumas cenas podem não agradar todos

Nota: 9,5/10

Opinião final: É UM JOGO DO CARALHO

O que mais eu posso dizer? Nada, né? Então tchau.













Vale a pena comprar esse jogo?
Só um pouquinho... ͡(° ͜ʖ ͡°)
Você quis dizer: Vale a pena comprar um Vita só pra jogar esse jogo?

Resposta curta: vale, larga a mão de ser mão de vaca.

Resposta longa: Não importa se você é um novato em visual novels ou mesmo se nunca ouviu falar de Danganronpa antes, ou se você já é o cara pica que já leu Danganronpa Zero e vai comprar o Another Episode também (eu não faria isso se fosse você, mas ok). Danganronpa 2 é simplesmente fodástico, não deixa quem está começando por este jogo no escuro por ter um backstory muito bem explicado (mesmo que ainda assim seja bom dar uma olhada, pelo menos no anime), tem uma trama que se desenvolve num ritmo extraordinariamente bom, dá respostas bem concretas pra praticamente tudo que acontece na ilha (sério, até pra magia, os Monobeasts e até bugs dentro do jogo... sério), tem momentos bem engraçados, recheado de referências, viciante, um desfecho que liga os dois jogos certinho COM ESPAÇO DE SOBRA para ter uma continuação, que há quem diga ser o ponto final da série (buá, mas já?? NÃO ME DEIXEM NESSE DESESPERO!!!)

No mais, é isso. Eu particularmente comprei o jogo na pré-venda e não me arrependo nem um pouco disso, pois o jogo tem tanto conteúdo e é tão bom que vale cada meio centavo economizado. E tenho dito!
E que venha Danganronpa 3!
Espero que tenham gostado da análise de hoje. Enquanto isso, vou me dedicar a continuar aos meus outros afazeres até encontrar outro jogo massa para analisar. Até lá, pessoal!
Out.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Análise [13] - Zero Escape: Virtue's Last Reward - Salvando o impossível

 

Faz um tempinho desde que eu postei a análise de 999: Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors, uma visual novel do fabuloso Kotaro Uchikoshi, ninguém menos que o criador original das melhores produções da já falecida KID, como Ever 17: The Out of Infinity (que eu ainda tenho que postar uma análise pra vocês!), Never 7 e Remember 11, os aclamados jogos da série infinity que marcaram a vida de todos que já jogaram esses jogos. Produzida pela Spike Chunsoft, que mesmo sendo um estúdio relativamente recente por ser uma fusão da Spike (Kurukuru Princess, Danganronpa) e Chunsoft (Kamaitachi no Yoru, 428: Fuusa Sareta Shibuya de), quer provar o seu domínio na produção de visual novels e RPGs para plataformas portáteis atualmente.

Neste jogo, todo mundo pode morrer... inclusive numa mesma rota...
Para o caso do jogo em que trataremos nesta análise, Zero Escape: Virtue's Last Reward (ou, em japonês, Kyokugen Dasshutsu ADV Zennin Shibou Desu), trata-se de uma continuação do jogo original, desta vez publicado pela Rising Star Games (Hakuoki) e pela Aksys (Blazblue, Fate/Extra). Disponível apenas para 3DS e Vita, isso pode deixar o jogo pouco acessível para quem ainda não tem bons motivos para investir nesses novos portáteis, mas eu lhe garanto, esse jogo sozinho já foi um bom motivo para mim... e não me arrependo nem um pouco da minha escolha. Aliás, se você é um ávido jogador de visual novels, JRPGs e jogos de aventura em estilo japonês, considero seriamente que você invista num Vita, considerando que o volume de jogos em geral, incluindo VNs, que estão sendo traduzidos para este de uns tempos para cá graças à NIS America, Xseed e da Idea Factory, apenas para citar algumas.

Sim, comprei um Vita só pra esse jogo e como investimento futuro em visual novels, mas... e o jogo? Vale tanto a pena assim? Não seria apenas um mimo exclusivo para os mais adeptos a jogos deste gênero e que o público geral não se interessaria tanto? Bem, isso você descobrirá a seguir!

História e Rotas
Esse coelinho pode ser engraçado e falar de um jeito bem peculiar, mas logo você verá o quão injustamente justo ele pode ser algumas vezes. -Usa
Você controla as ações de Sigma, um adulto nos seus vinte e poucos anos que foi sequestrado após passar a véspera de natal na universidade (que fracassado). Ele acorda em um dos quebra-cabeças do suposto Zero III, uma inteligência artificial bobona que é controlada pelo verdadeiro vilão do jogo que andou raptando pessoas por aí pra jogar o seu joguinho "à lá Jogos Mortais". Logo no primeiro puzzle, Sigma se encontra com Phi, uma garota misteriosa que aparentemente conhece Sigma, mesmo ele não tendo qualquer memória de tal evento.

Após escapar, Sigma e Phi reparam que não estão sós, uma vez que outras sete pessoas também se encontram na mesma situação, aparentemente sem nenhuma ligação entre eles. Após a rápida reunião entre eles, Zero III oficializa que os nove participantes ali reunidos seriam os jogadores de mais um Jogo Nonário, um cujo qual os jogadores devem resolver quebra-cabeças do estranho prédio em que eles se encontram para conseguirem progredir. A inovação desta vez é que, com os itens obtidos desses quebra-cabeças, os membros devem se enfrentar numa forma de votação, cuja qual, dependendo se você e o seu oponente quiser aliar um ao outro ou um tentar trair o primeiro, os jogadores podem ganhar ou perder pontos. Com nove ou mais pontos, o jogador pode sair pela porta de número nove e mandar um beijinho no ombro pros recalcados que vão ficar presos para sempre ali. Mas ao contrário da Mega Sena que ganha com mais ou menos pontos, se um jogador ficar com zero pontos ou pontuação negativa, ele morrerá, sem choro nem vela.

Momentos bizarros assim não são tão raros
Cabe então à Sigma a delicada decisão entre confiar nos outros jogadores para tentar fazer com que todos os jogadores possam sair do jogo juntos, mas com o risco de poder ser traído por jogadores que queiram ganhar pontos mais rapidamente, ou tentar ser o mestre na arte da enganação para sair deste pesadelo de uma vez por todas. Com 22 finais diferentes pelo jogo, há muitas possibilidades para o jogador tentar, com um total de mais de 40 horas de jogo para completar todos eles. Dentre esses finais, também há a possibilidade de você confiar mais em um jogador do que outro, o que levará você a uma espécie de mini-rota específica do personagem, cuja qual será vital para conseguir informações e acessar outras rotas do jogo. Sim, neste jogo não basta fazer as escolhas certas para ter um final legal. Cabe ao jogador lembrar partes cruciais da história, e até mesmo senhas espalhadas por diversas rotas para progredir rumo ao final verdadeiro do jogo.

Essa última parte lhe confundiu? Bom, isso é um sinal que você não jogou 999, mas você não precisa temer, uma vez que o jogo, tanto nos diálogos quanto nos documentos secretos que você pode obter dos quebra-cabeças, faz um bom papel em esclarecer e resumir o que ocorreu no jogo anterior (mas ainda recomendo jogar o jogo mesmo, tá? Tem coisa importante que ele não cita), além do que a história de Zero Escape começa num ritmo bem independente do primeiro jogo, apenas referenciando-o mais para o final.

A quatidade de finais ruins, os bad ends, continua alta e chega até a ser frustrante quando o jogo usa técnicas para tender a jogador a escolher uma certa opção e depois o jogador se ferrar por causa disso. Idem para quase todas as rotas que você quiser ser igual aquele personagem fdp e escolher trair a negada pra tentar sair do jogo mais cedo. Chega até a ser um jogo de tentativa e erro até você fazer as escolhas certas para progredir na história do jeito certo, o que pode enfurecer certas pessoas que não tenham tanto tempo ou dedicação para correr por todas as rotas, mas em compensação, alguns bad ends são até necessários para o jogador seguir antes que ele possa seguir a rota certa. Além disso, essa parte de ter que correr por rotas mais chatas para conseguir informações que são usadas em outras rotas principais é uma ideia bem original, mas que cansa o jogador casual que não quer ficar lembrando de tudo que foi dito, muito menos cortar a graça e usar um detonado pra ter essas respostas.


Traços, Trilha Sonora e Animação
Quer saber o motivo do 18+ na capa do jogo?... É, então...
Em contraste à 999, Zero Escape tem o seu visual quase que todo em 3D, o que colabora com alguns "vines" no meio do jogo, trechinhos curtos e animados em certos pontos da narrativa. É difícil acostumar com isso já que algumas vezes chega a ser desconcertante ver um lip sync tão zuado nos personagens ou a falta de CGs no jogo, mas logo você acaba deixando esse ponto de lado. Pelo lado bom, todos os puzzles deste jogo também são tridimensionais, o que dá uma melhor sensação para o jogador ao resolver os problemas que o jogo impõe.

Os controles sofreram umas boas inovações, não simplesmente servindo para passar diálogos, mas também com botões de atalho para acessar qualquer opção diretamente da tela de jogo ao invés de ter que abrir menus, o que eu achei bem cômodo. O jogo até tenta usar o acelerômetro do Vita em certos minigames, mas acabou saindo de um jeito tão ridículo que preferi usar os botões convencionais mesmo. No entanto, o touch screen capacitivo ajudou bastante nas horas em que tive que acessar o "memo" do jogo para fazer anotações relevantes, o que equilibra com a versão do 3DS que dá pra escrever com a stylus, já que é bem fácil escrever ou apagar o que precisa rapidamente.

Na parte sonora, o jogo deixa uma clara tensão correndo pelo jogo inteiro, com composições recheadas de sons metálicos e abusando de efeitos de ecos, o que simboliza músicas de suspense e lugares apertados, algo que serve bem para o título. Não diria que elas são tão bem feitas como outras trilhas sonoras de VNs mais recentes, mas o ritmo irriquieto e a atmosfera que o deixará em alerta constantemente serve ainda mais para deixar o jogador imerso na experiência do jogo.

Vale ressaltar também que, ao contrário de 999, o jogo conta com um extenso trabalho na dublagem dos personagens nas partes que não envolvem quebra-cabeças, contando ainda com nomes de peso na narração, como Omigawa Chiaki (Maka, de Soul Eater), Tamura Yukari (Mine, de Akame ga Kill, e Sakura, de Da Capo) e Daisuke Ono (Kakeru, de 11 Eyes, e Itsuki, de Suzumiya Haruhi no Yuutsu). Pontos extras também pra minha seiyuu favorita, Mamiko Noto, que faz a voz da Luna neste jogo. Por que é a minha favorita? Ela é quem faz as vozes divinas da Feel, de No Game No Life, e da Ichinose Kotomi, de Clannad. Não me leve a mal, Hanazawa Kana, mas Kotomi foi meu primeiro amor em animes <3.

Opinião
Alguns puzzles são fáceis até demais, incluindo os que envolvem matemática. Os que envolvem lógica vai fazer você literalmente quebrar a cabeça pra resolver... tá, não literalmente... e exceto se jogar no modo fácil

Tá, minha opinião pode ser (bem) tendenciosa, uma vez que Zero Escape cai como uma luva no gênero de jogo que eu mais gosto, acertando em todos os pontos mais relevantes. Histórias com toques de ficção, foco maior no desenvolver da plot e jeitos inéditos de progredir no jogo ao invés de simplesmente fazer as escolhas certas são todos fatores que me fazem as separar das VNs "clássicas", que têm sua fórmula imutável desde o seu surgimento, além de ter uma interação bem maior ao jogador, que não simplesmente fica apertando "X" toda hora pra passar os diálogos para usar a cabeça nos puzzles e mini-games.

Mesmo tendo jogado o jogo anterior, a vibe de Zero Escape é diferente por terem regras diferentes. Não basta simplesmente combinar pessoas diferentes para passar por portas diferentes, mas as ações que você toma nas votações dentro das Ambidex Rooms vai influenciar no seu parceiro da próxima parte do jogo, o que abre outras possibilidades, e cá entre nós, tem bastante coisa que muda entre as rotas que você pega. Pode todo mundo morrer, ou todo (quase) todo mundo se salvar. Pode ser que você consiga sair do jogo inteiro com sua parceira ou acabar ficando preso para sempre, mas ainda não necessariamente terminando em um final ruim. Agora, caso você queira respostas para as perguntas mais pertinentes como "Pra quê esse jogo foi criado?", "Quem é o verdadeiro Zero III?" ou "Quem caralhos era a mulher que morre no começo do jogo?", daí só a rota verdadeira poderá lhe esclarecer. E pra chegar até ela, tem muito chão, tendo que completar pelo menos 10 outras rotas para conseguir ter todas as informações para terminá-la.

... Calma, não é o que você está pensando...
A trama é super envolvente tanto nas primeiras horas de jogo quanto nas últimas, uma das melhores que você jogará no Vita sem sombra de dúvidas. Até se compararmos com 999, algumas falhas que o jogo anterior tinha foram corrigidas, como a inclusão de 3 baterias para salvar o jogo, um flowchart que mostra quais escolhas você já fez e quais ainda faltam (similar ao de School Days HQ e Cross Days, mas mais simplificado) e até um modo para diminuir a dificuldade de certos puzzles, que fazem os personagens darem dicas preciosas para os quebra-cabeças e fazer a solução deles serem até ridiculamente simples.

Infelizmente, ainda há erros que não dá pra ignorar. Os gráficos em 3D são bons para os puzzles, mas chega a ser estranho na parte da narrativa, ainda mais contando com um lip sync meia boca, o que me fez sentir falta dos gráficos em 2D de 999. Conseguir os documentos secretos do jogo também são desafiadores, mas uns chegam até a ser injustamente difíceis, como "Ter que ler um código de cabeça para baixo" ou "Fazer a superposição de dois mapas para revelar uma senha", e como são coisas opcionais do jogo, nem mudando pro nível mel na chupeta vai ajudar. Além disso, a quantidade de bad ends também aumentou neste jogo, e isso passa até a ser mais injusto que no jogo anterior, uma vez que certos personagens podem fazer você tender a tomar a decisão errada, ou mesmo o jogo ferrar o personagem principal independente da escolha que ele faça (sim, tem uma rota assim!), o que é frustrante para o jogador que simplesmente quer alcançar a rota verdadeira, mas que deve aturar com horas e horas enfrentando bad ends "necessários" para isso.

A tradução para o inglês impressionou também, ainda mais com a proeza ao adaptar coisas aparentemente inadaptáveis entre as línguas, como a terminação "-usa" que o Zero III tem mania de falar, ou quando Sigma fala vários "nya" quando se trata de gatos, ou até mesmo ao encontrar um robô que fala em dialeto Kansai que acaba sendo traduzido com algo caipira (o que é meio preconceituoso, mas acabou ficando legal). Por incrível que pareça, mesmo não sendo uma das traduções mais fiéis de uma VN (como a de Persona 3 e 4), é uma tradução bem envolvente e até engraçada em alguns pontos, mesmo o jogo em si sendo sério na sua grande parte. Junte a isso com vários fatos interessantes, analogias, teorias científicas (já ouviu falar no Gato de Schrödinger? Ou o que é antimatéria?) e uma história que vai ficando cada vez mais complexa e viciante, e pronto, tá aí a receita para um jogo inesquecível.

Veredito Final
Mas o jogo tem... Gatinhos! Nyaaaaaa~~
- Pontos Fortes 
      *Narrativa e história excepcionais
      *Puzzles desafiadores
      *Conta com dubladores de peso
      *Funções inovadoras para visual novels
      *Volume de informações e fatos interessantes
      *Qualidade da tradução para o inglês
      *Extremamente viciante e impressionante durante suas últimas horas de jogo

 - Pontos Fracos
      *Falta da CGs e gráficos em 3D podem incomodar
      *Forçar o jogador a completar várias rotas, inclusive bad ends, para progredir
      *Inconsistência na dificuldade de certos puzzles (especialmente para conseguir as senhas secretas)
      *Não "fecha" a história no seu final verdadeiro, abrindo espaço demais para uma continuação

Nota: 9,0/10

Opinião final: Vamos ser francos, Zero Escape é do caralho. Algo que aparentemente começa como uma VN independente e um bom tanto diferente de 999 vira algo fabuloso, mantendo seu ritmo surpreendente e imprevisível até um nível quase impossível onde praticamente qualquer teoria pode ser verdade dependendo do jeito que você pense. Acredite, você vai passar o jogo pensando em possíveis respostas pro jogo, mas muitas delas vão desabar quando menos espera. Phi, uma espécie de agente neutro ao jogo, esclarece isso ao nunca estar no lado de ninguém, sempre aberta a novas teorias e possibilidades por mais que os fatos apontem para uma resposta aparentemente óbvia.

É um jogo que muitos adjetivos positivos não conseguem capturar, mesmo não sendo a VN mais imersiva que já joguei até agora (até comparando com Danganronpa, já que ele possue um ritmo bem mais digerível  e engraçado que Zero Escape). A única coisa que sinceramente me desapontou e me impediu de dar uma nota maior, mais relevante do que os pontos negativos que já citei, é que Zero Escape é uma história "vazia", com um final que atinge o famoso cliffhanger, deixando claro que a história foi escrita para ter uma continuação, mas que teve que terminar aí. Não é por menos que os fãs da série até tentaram convencer o criador a continuar com a produção de um novo jogo com a iniciativa do Operation Bluebird, mas até agora, não houve grandes frutos de sucesso. Com isso, muitas perguntas BEM pertinentes ao universo acabam sem respostas, o que acaba dando a impressão que o jogador gastou horas de jogo em vão.

Isso não tira o prazer do jogo, claro, o que pode servir como base para muitos outros títulos que possam vir no futuro e na vida de quem está aí para justamente explorar novos tipos de jogos e visual novels. A incessante busca pela verdade que acaba por envolver acontecimentos aparentemente sem volta e na esperança que os personagens possam se salvar no maior estilo MacGyver japonês é um conto de tirar o fôlego. Por isso o aviso: cuidado com a sua vida social depois que começar a jogar este jogo, viu!

Vale a pena comprar esse jogo?
Com toda certeza, contanto que você esteja disposto (ou já tenha) um dos portáteis e já tenha alguma experiência em visual novels. Não é o jogo mais simples do gênero, e mesmo tendo uma abordagem diferente que um dating sim, o fluxo de informações pode não agradar quem não gosta de ficar horas e horas na frente de uma tela de LCD/OLED lendo textos e mais textos. Por já ser um jogo antigo, é fácil arranjar uma cópia usada e economizar umas dilmas pela mesma experiência, algo que com certeza pode chamar a atenção também de quem não tenha muito para se jogar atualmente.

Tem um 3DS ao invés de um Vita? Só tome cuidado com a região do cartucho que você for arrumar, mas no mais, não vejo diferença em performance ou no gameplay das duas plataformas, simplesmente escolha o que mais lhe agradar e o que for mais conveniente. Agora, se você não tiver pressa (no sentido de poder esperar uns anos aí), pode economizar um dinheiro aí até o anúncio do terceiro e último jogo da série, que promete fechar tudo bonitinho e não ficar com uma possível ânsia/angústia em um caso de amor com o jogo, mas cuja obra ainda deixa respostas em branco e muitos fatos sem esclarecimento.
Poder ser que você não tenha entendido nada da análise, mas se você nem entendeu o porquê dessa nota tão alta mesmo com tanta picuinha, só jogando o jogo mesmo.

Bem, essa foi a nossa análise. Espero que tenham gostado, e se o jogo estiver na promoção mais uma vez, vale a pena dar uma pensada na hora de comprar!
Out.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Hora de tirar o pó do seu PSP: Demo de Danganronpa em PT-BR!!


Quem que não ficou no hype com a série quando ele estava como anime do ano passado? Se você já viu o anime ou conferiu a nossa análise do (excelente) jogo de PSP, sabe que Danganronpa não é um título "leve" ou "modinha", mas realmente foda, intrigante, respeitável e viciante. Não importa se o anime não fica no mesmo nível que a visual novel, a verdade é que a franquia é muito bem executada,  e com o anúncio do segundo jogo ainda para este ano, os fãs só tem motivos para comemorar.

E comemorar MUITO! Afinal, até o povo HUE HUE BR BR vai poder aproveitar a onda, uma vez que a Danganronpa Brasil, o grupo de tradução de (adivinha...) Danganronpa para o nosso idioma, finalmente disponibilizou para nós uma demo do jogo traduzido. Vale lembrar que isso tudo é para a versão do jogo em PSP, ou seja, se você tem um Vita e o jogo para ele em inglês, não adianta encher o saco do Monokuma que ele não é mago para portar um jogo de PSP para Vita, quanto mais traduzido (pelo menos por enquanto, né...).


Para quem não sabe, a demo de Danganronpa é um pouco diferente do início do jogo original, mas é excelente para o jogador iniciante saber como funciona a mecânica dos tribunais de classe no jogo e já ir treinando para o jogo principal, onde o pau come de verdade. Sim, é curto, mas hey, é uma demo, e demos são curtas (né, Ground Zeroes?), feitas para provar simplesmente que "algo é possível" enquanto dá uma palinha para os jogadores se deleitarem enquanto isso. Neste caso, encare isso como uma prova que não é só porque o grupo de tradução não dá notícias de tradução que necessariamente eles largaram mão ou coisa do tipo. A tradução tá rolando e rolando liso! 


A tradução do jogo completo, no entanto, não tem previsão para ser lançado (não num futuro próximo, pelo menos), mas quem se interessar em fazer parte do grupo, acelerar o processo e ainda ganhar um bônus e ter seu nome gravado na eternidade como um dos colaboradores da tradução, você pode tentar a sorte e dar uma conversa com o poderoso chefão do grupo e, quem sabe, dependendo da sua disposição e boa vontade, dar aquele empurrãozinho que as traduções de VNs no Brasil precisa, não?

Para quem já jogou e está mais ansioso mesmo para o segundo jogo sair em inglês, Danganronpa 2: Goodbye Despair lança dia 2 de Setembro nos EUA e no dia 5 de Setembro para os europeus, exclusivamente para o Vita (já que o PSP is dead e sequer está sendo fabricado agora). Há rumores também que Danganronpa 3 está em produção pela Spike Chunsoft (segundo aquele trailer do spin-off da série apareceu), mas nada foi confirmado ainda (só pra deixar você roendo as unhas).


Gostaram? Eu adorei! Bem, aproveitem, botem hype no grupo e na equipe que está trabalhando, e boa sorte pra esse pessoal dedicado para que possamos ter essa belíssima VN em nosso idioma num futuro próximo!

Out.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Shingeki no Kyojin para 3DS tem data de lançamento, spin-off de Danganronpa será TPS?


Lembra daquela imagem cabulosa de uma revista japonesa que mostrava um possível jogo de 3DS da série? Pois é, não era trollagem nem nada, mas sim o alívio para muitos fãs da série que acabou de acabar. O jogo, entitulado Shingeki no Kyojin: Jinrui no Saigo no Tsubasa, será desenvolvido pela Spike Chunsoft, que para quem não sabe, é a mesma responsável pelos jogos de Danganronpa, Conception, e 999 (que, como eu não me canso de dar ênfase, temos uma análise do jogo... que é foda pra caramba), então, para quem não quer jogar as visual novels que serão inclusas nos Blu-Rays 3 e 6 do anime e quer ver mesmo ação e porrada, este jogo será uma boa pedida para o final do ano, mais precisamente dia 5 de Dezembro (isso é, se você tiver um 3DS japonês).

O trailer oficial, também em japonês, é curtinho, mas você pode vê-lo caso ainda não o tenha:


Maiores detalhes sobre o jogo ainda não foram revelados, então é melhor ficar de olho nesses próximos meses para saber como vai funcionar o modo campanha e o multiplayer do jogo (que, diga-se de passagem, deixará que você crie seus próprios personagens e se juntar com até mais 3 pessoas para matar gigantes e completar missões diversas). Bom, e como se não bastasse, um Live Action da série está para sair em Dezembro, e não vamos nos esquecer do mangá que virá oficialmente para o Brasil pela Panini em Novembro desse ano... se esse ano é para ser o ano dos gigantes, tem de tudo para convencer os otakus que sim.


E ainda falando da Spike Chunsoft, o anime de Danganronpa pode ter deixado um gosto de "quero mais" na sua boca, não? Pois é, já existe uma continuação direta para a "primeira temporada" em jogo, Super Danganronpa 2, lançado para PSP (e para Vita, que inclui os dois jogos de uma vez), mas caso o seu amor pela série não pare por aí, a empresa lançará um spin-off da série, e apesar dos detalhes mais sórtidos também não serem revelados, podemos ter uma ideia a partir do PV oficial do jogo.


... é.... CALL OF DUTIZANDO!

Sim, o jogo será uma mistura de Third-Person Shooter com mistério e contará com personagens exclusivos para o jogo, além de, claro, Monokuma estará presente para te fazer sofrer e cair no desespero. Zettai Zetsubou Shoujo: Danganronpa Another Episode é meio que um mistério até agora, exceto pelo fato que o jogo se dará entre os eventos dos dois jogos e que também contará com a participação de personagens do primeiro Danganronpa. Além disso, o final do vídeo mostra uma possível referência a uma (também possível) continuação direta à série, o que seria muito maneiro, ainda mais para se fechar uma trilogia para o universo (e que não seria má ideia, hein!). Another Episode não tem data de lançamento definida, mas deve chegar no mercado japonês de games em meados de 2014.


Bom, o post foi curto, mas é o tempo que temos hoje. A gente se vê na próxima, mas não necessariamente amanhã (porque essa minha vida está de lascar ><").

Até mais o/
Out.

sábado, 24 de agosto de 2013

Análise [11] - Dangan Ronpa - Porque escola sem mortes, armadilhas e mistérios são para os não-asiáticos

Pode parecer bastante nome, mas você vai lembrá-los por um bom tempo, assim como muitas outras coisas dessa VN.
Sabe aquele jogo que você ouve falar umas poucas vezes, dá uma súbita vontade de jogar, e depois você não consegue mais fazer outra coisa até completá-lo de tão bom que o jogo é? Dangan Ronpa (ou, como vai ser traduzido oficialmente pela NIS America, Trigger Happy Havoc) foi o caso mais recente que me aconteceu isso: muita gente falava bem do anime, assisti os dois primeiros episódios, viciei, e quando descobri que havia uma tradução do jogo original para PSP, não deu outra. Tirei o pó do meu PSP e comecei a jogar o jogo... e cara, como esse jogo te prende.

Uma boa analogia para se usar é o de uma montanha-russa: ela pode começar lenta e dando apenas alguns pequenos sustos no começo (ainda mais pelo fato do anime ser muito fiél aos acontecimentos do jogo, e os acontecimentos são praticamente idênticos, exceto que o jogo é mais detalhado), mas quando a ação toma conta e o carro da montanha-russa começa a descer, ele só ganha velocidade e não para até chegar no final da linha.

E por que o jogo é tão viciante? Bom, vamos falar um pouquinho da história antes disso.

História e Rotas
É bastante texto no jogo, não se engane com a duração na VNDB... simplesmente não dá pra terminar esse jogo pela primeira vez em 30 horas sem pular uma renca de explicação ou pistas importantes...
A história é idêntica ao do anime: 15 estudantes do ensino médio vão parar numa escola muito estranha, a chamada Kibougamine Gakuen, mas esses estudantes não são estudantes comuns, mas sim estudantes super famosos em certas áreas e que marcam suas características, como idols, jogador de beisebol, lutador, shaman, programador, e tantos outros... bem, exceto o protagonista da escola, Naegi Makoto, que não é nada de diferente que o seu protagonista clichezão de visual novels (ele mesmo admite esse fato), e apenas entrou na academia com o título de "Super Hiper Sortudo do Colegial".

Após uns minutos de confusão e breves introduções entre os personagens, o chamado diretor da academia, o Monokuma, explica que os estudantes estarão, desse momento em diante, vivendo os restos das suas vidas na academia, sem qualquer chance de escapar de lá e tendo que obedecer as regras impostas... exceto se o estudante que quiser sair de lá matar um de seus colegas e não ser descoberto. Caso esse estudante seja descoberto, ele é executado na frente de todos os colegas, mas caso não seja, todos os demais morrerão e o culpado verdadeiro escapará da academia ileso.

Para evitar morrer por causa do crime de um de seus colegas, Naegi, assim como os demais estudantes, participa de investigações para coletar pistas e descobrir o verdadeiro culpado, revelando-o no chamado Tribunal de Classe. Além disso, uma das colegas dele, Kirigiri Kyouko, não satisfeita com a sua contenção e com um intelecto mais superior (e mais calculista) que os demais estudantes, além de colaborar com as investigações e revelando pistas cruciais que quase passam desapercebido, ela também quer descobrir o verdadeiro motivo da existência desse jogo sangrento entre estudantes, a identidade do tal diretor e os mistérios que circundam a academia.

O jogo é dividido em 6 casos (cada um terminando com um tribunal de classe), que dura umas 4~6 horas cada um, além de um prólogo e epílogo para a história, que acabam em questão de uma hora mais ou menos. O jogo possui apenas um final, mas algumas escolhas no final do jogo que incitaria uma provável sequência de eventos para um bad end. Com isso dito, não há como evitar os assassinatos ou mudar quem morre em cada caso. Triste? Não, acho que se isso realmente acontecesse, talvez nem caberia o jogo num UMD de PSP, e se um jogo desses fosse lançado pra PS3 ou Xbox asiático, eu iria chorar.

Traços, Trilha Sonora e Animação
Quem será que vai sobreviver? E por quanto tempo?
Os traços dos personagens são mais escuros que os normais, considerando a época que o jogo foi originalmente lançado (2010), e é um tanto difícil de se acostumar caso esteja acostumado com os visuais "bonitinhos" da vns para computador, mas isso não significa que os personagens são desenhados feios ou coisa do tipo (mas se você está acostumado com os olhos "moe" das personagens, vai achar o traço bem peculiar).

A animação é algo bem simples nesse jogo, mas não é algo que eu diria que faz falta. A trilha sonora, por outro lado, igual à trilha sonora do anime, deixa o jogador bem familiarizado com o ambiente do jogo. Não há muitas músicas relaxantes devido ao clima do jogo, mas músicas cheias de suspense e desespero são o que não faltam.

Opinião
Para a nossa alegria, não só lemos textos e mais textos e nos emocionamos pelo Tribunal de Classe apenas com músicas e vozes, mas também temos uma penca de minigames lógicos no meio. Um tiro no peito pra quem dizia que só o DS tinha jogos com minigames desse estilo.
Eu confesso que, assim como os primeiros minutos do primeiro episódio do anime, eu achei o compasso do anime meio devagar e com muita enrolação, e pra colaborar com isso, são poucos os textos com vozes no jogo, e quando elas existem, são apenas algumas frases de efeito do personagem. Entretanto, depois de alguns minutos e das introduções, o conceito do anime é algo bem legal, por mais que seja clichê: sobreviver um ambiente hostil.

Claro, tendo assistido todos os episódios do anime até agora (detalhe: quando escrevi essa análise, o anime ainda não tinha acabado), eu esperava ansiosamente pelo famoso Tribunal de Classe, já que essa parada toda de investigação com julgamento no final é um dos meus gêneros de jogos favoritos (caso ache que eu esteja mentindo, veja minha análise de 999), e confesso que no começo me achei desmotivado a isso, uma vez que o jogo tem bem mais enrolação até acontecer as mortes, e demora pra concluir as investigações e finalmente descer o temido elevador até a corte da academia.

Entretanto, depois que você entra no Tribunal de Classe, não tenha dúvidas que é aí que o jogo brilha em todos os tons e cores possíveis. Pra começar, o tribunal é quase que totalmente em vozes, apenas com os pensamentos do Naegi não sendo pronunciados, o que dá a impressão que você está assistindo um anime bem detalhado e de qualidade sobre o caso em questão. Além disso, nem só de falas exageradas e lógicas incríveis que dificilmente são captadas pelos cérebros com menos raciocínio lógico, pois o julgamento também tem minigames, divididos em 4 categorias: o Non-Stop Debate, onde você tem que achar contradições nas falas dos outros colegas e mostrar provas desta contradição (sendo com uma das pistas que você já coletou ou com fatos que outros colegas falam), Epiphany Anagram, onde você tem que desvendar uma palavra-chave, soletrando-a, Machine-Gun Talk Battle, onde você participa de uma batalha quasi-cômica estilo rítmico para provar que um personagem está errado, mesmo não querendo admitir, e o meu favorito, o Climax Logic, onde você tem que montar um mangázinho (assim como mostra no anime!) sobre como o assassinato ocorreu e deixar claro quem é o verdadeiro vilão da história, dando o golpe final no culpado.

Depois que você completa o primeiro caso do julgamento, além de ver umas execuções bem animescas e exageradas (levemente diferentes dos do anime, uma vez que as execuções do anime foram levemente censuradas e com animação mais fluente), você fica simplesmente vidrado no jogo, e por mais que você já tenha visto as soluções dos casos no anime, as partes de investigação e o próprio tribunal tem partes que o anime não mostra, sempre deixando o jogador nas pontas dos pés antes de simplesmente decorar os contra-argumentos usados no anime. Fora isso, é possível você conversar com os demais estudantes durante o seu tempo livre (sim, no jogo tem!), dando presentes pra ele ou ela e fazendo vocês ficarem mais próximos, e em certos pontos, você até pode ganhar habilidades novas com isso, que vão te ajudar no tribunal, como poder errar mais vezes antes de dar o game over (apesar do jogo ser bem tolerante quanto a isso), atirar mais precisamente ou poder se concentrar (algo que deixa o tempo bem lento para acertar contradições no Non-Stop Debate) por mais tempo e assim por diante, além de, claro, descobrir um pouco mais da história dos personagens.

A partir do final do terceiro caso, o jogo começa a dar várias dicas sutis sobre os mistérios da academia, e daí em diante é que o jogo deslancha de vez. Não só por causa dos casos que são seguidos disso, mas por causa das descobertas e com as ligações que esses fatos vão fazer com as minúscias, o que antes você considera enrolação, do começo do jogo. O excesso de câmeras na academia, a identidade no Monokuma, o motivo do jogo sádico realizado, as fotos misteriosas que o Naegi encontra em algumas partes da academia, quem é o verdadeiro diretor de lá, a habilidade (que eu achei meio óbvio, mas não deixa de ser misterioso no começo) da Kirigiri Kyouko e seu motivo a entrar na academia... tudo isso é explicado da forma mais chocante possível. Coisas que aparentemente não fariam sentido ou que envolveria teorias da conspiração e explicações que transgridem a realidade acabam sendo reveladas e totalmente possíveis, por mais mirabolante e infálivel que possa parecer no começo.

Pode parecer meio óbvio as coisas caso o jogador já tenha assistido o anime por inteiro ou tenha ido ler os mangás e drama cds  da série, mas caso essa seja a sua primeira vez que você tenha contato com a série, ou caso você não tenha chegado nos finalmentes do anime (como essas poucas semanas entre a data que escrevi essa análise e a data que o último episódio do anime vai estrear), pode apostar o quanto você quiser que esse anime vai te impressionar da melhor maneira possível, contanto que você tenha a paciência para chegar até a metade do jogo e goste do estilo do jogo.

Veredito Final
Dica pra quem for jogar: não tenha medo de jogar a primeira vez na dificuldade Malicious... é até mais emocionante assim!
 - Pontos Fortes 
      *A história
      *As referências com diversos jogos (não sei se foi a equipe de tradução que as incluiu, mas caiu como uma luva)
      *Investigação com visual novel muito bem integrada
      *Os personagens, peculiares e alguns até cômicos
      *Os tribunais de classe são extremamente divertidos e viciantes
      *Tradução muito bem feita, bem fiél às gírias e jeitos de falar dos personagens no anime
      *O final, claro, tão gratificante quanto as melhores partes do jogo
      *Imenso valor replay, mesmo após zerar o jogo

 - Pontos Fracos
      *Vozes quase que só nos tribunais de classe
      *Traços dos personagens podem não agradar todos os gostos

Nota: 9,5/10

Opinião final: Um dos melhores jogos para se jogar para aposentar o seu PSP, juntamente com uma das melhores traduções de visual novel feito por fãs. Esse jogo pode não parecer, mas ele reflete muito bem a situação dos estudantes para o jogador, ainda mais no final, que o jogador se sente no desespero quase que insolucionável e inevitável dos estudantes (você verá no anime, também).

Eu, por exemplo, deixei o blog de lado por praticamente uma semana de tão viciante que o jogo é, e isso pra não falar das madrugadas viradas para isso, inclusive na última vez que joguei, deixando o jogo de lado só às 8 da manhã do dia seguinte.

Este jogo vale a pena ser jogado por todas as pessoas, otakus ou não, que estão curtindo o anime ou não. Fazia muito tempo desde que joguei um jogo que me deixou tão preso no seu universo e tão surpreso com os raciocínios dos personagens. É aquele jogo que dá vontade instantânea de jogar a continuação, Super Dangan Ronpa 2, mas que infelizmente só está no comecinho da tradução pela Zetsubou Project... bom, já vou arranjar a minha cópia pra esperar a tradução. Enquanto isso, o jeito é vasculhar os demais materiais do universo e aproveitar enquanto eu ainda posso, pois esse é um jogo que, sem sombra de dúvidas, vai deixar uma marca na minha memória e vai se tornar referência em muita coisa daqui em diante, nas próximas análises de visual novels do mesmo gênero, ressaltando a sua incrível história e desfecho.
Essa parte é, fácil, o maior cagaço que eu tive no jogo inteiro, mas não tira o fato que foram muitos nos casos que eu resolvi antes de passar no anime... que foda!
Bom, isso encera esta análise. A gente se vê na próxima, pessoal! o/
Out.