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domingo, 28 de setembro de 2014

Análise [14] - Danganronpa 2: Goodbye Despair - A diferença entreEsperança e Desespero está na dose



Já deixo o aviso: tirei fotos de alguns trechos do jogo, mas tô com preguiça de fazer crop nelas. Largue a mão de ser chato e aproveite a análise!

Pra quem já viu a nossa análise do primeiro Danganronpa (da época que o jogo só tinha a tradução por fãs da Zetsubou Project) sabe que eu virei um fã instantâneo da série. Mesmo que tenha tudo começado com o anime que começou bem adaptado, mas depois ficou corrido (DEMAIS), Danganronpa me surpreendeu em todos os sentidos. O que antes mais parecia uma tentativa de exagerar o que já é exagerado em Phoenix Wright acabou abrindo horizontes para uma narrativa que vai muito além do simples "resolva esse caso, aqui estão os fatos e evidências", mas de uma história que vai a um confronto bem mais elementar na natureza humana, onde todos duvidam de todos num ambiente onde deve-se matar para ter uma chance de sobreviver, mas que na verdade são os laços humanos e a cooperação entre eles que dão a chance de lutar "contra o sistema" (você pode interpretar isso como uma coisa menos "revolta", tá?)

Mas bom, disso aí você já sabe se você já jogou o jogo anterior. Bem, então a continuação ensina simplesmente a mesma coisa? CLARO QUE NÃO, ISSO NÃO É CALL OF DUTY!

Danganronpa 2 é incrível pois ele começa como se fosse um novo jogo no mesmo universo, ou mesmo uma side-story que acontece com a Kibougamine Gakuen (Hope's Peak Academy, em inglês) em algum ano ou lugar diferente... até você encontrar a Monomi e virar tudo de cabeça pra baixo... e então encontrar referências engraçadas ao jogo anterior... e daí você passa quase meia hora no jogo e se pergunta "Caramba, isso ainda é o Danganronpa que eu tanto gosto?"... E DAÍ BOOM, todos são surpreendidos novamente quando quase nada do jogo anterior é citado... o que deixa você confuso, mas ao mesmo tempo feliz por ter um conteúdo tão único e imprevisível como foi a primeira vez que você jogou o primeiro jogo e caiu na mágica e vício de sua narrativa e progressão.

Mas bem, vamos encerrar a introdução por aqui senão não vou me conter. Vamos à análise!

História e Rotas
O protagonista desta vez é Hajime Hinata, um garoto que sempre quis estudar na Kibougamine Gakuen, admirando-a por toda a sua vida por ser um lugar onde, uma vez lá dentro, você estará feito na vida. Empresas virão atrás de você e vão lhe dar um emprego dos sonhos, ou se você quiser abrir seu próprio negócio, seja lá qual for o ser talento supremo, você vai suceder. Afinal, pra você entrar, você tem que ser excepcional em alguma coisa, que é basicamente o seu tal talento supremo, tanto que os estudantes sempre são conhecidos como supremo-alguma-coisa (ultimate em inglês, chou-koukoukyuu em japonês). Ou isso, ou ser sorteado numa loteira que rola no mundo inteiro para eleger o "supremo sortudo", caso do nosso protagonista, aparentemente.

De repente, Hinata acaba por conhecer seus novos colegas de classe, que por vez conhecer o que seria o novo... hum... nova professora deles... que se chama Usami, por ser um coelho de pelúcia rosa misturada com mahou shoujo (sério)... que do nada traz todos os estudantes para uma ilha tropical paradisíaca, onde o único objetivo é, pura e simplesmente, aproveitar os dias de sua juventude por lá, serem amiguinhos felizes e relaxar.

"Yare yare"
Todo mundo (até eu) fica confuso nesse ponto, mas depois de uma meia hora de jogo você acaba engolindo aquilo tudo (pelo menos os estudantes do jogo), mas, quando o tempo fecha, há a entrada genial do grande e único Monokuma, mesmo do jogo original, que dá uma coça na Usami e a transforma em Monomi (sim, ele arranca um olho dela) e transforma o jogo na típica Vida Escolar da Morte famosa no primeiro jogo: se os estudantes quiserem sair da ilha, eles vão ter que matar um de seus coleguinhas do jeito mais perfeito possível. Depois de um tempo de investigação e um tribunal de classe, se ninguém conseguir achar quem matou a vítima ou fazer a escolha errada, o verdadeiro culpado sai da ilha e o resto é punido. Para sobreviverem, deve-se chegar no culpado certo, para que assim só ele seja punido pelos seus atos.

O jogo conta com seis capítulos lotados de história, onde pouco a pouco acaba esclarecendo as dúvidas dos estudantes, como porque eles não lembrarem de entrar na sala onde todo mundo se encontra com todo mundo, mas abrindo muitas outras perguntas como se Hinata tinha algum talento supremo, se Monokuma e Monomi estão trabalhando juntos, e até mesmo quem é o "infiltrado" dentro do grupo de estudantes. Algumas respostas demoram bem mais que outras, mas acredite, é um passeio numa puta montanha-russa foderosa.

Traços, Trilha Sonora e Animação
... Na praia? Menina corajosa, hein!
Sinceramente, não há nada de diferente de quem está acostumado com o primeiro jogo. Sendo modelado na mesma engine e, originalmente, sendo lançado para PSP (assim como o primeiro jogo também), não havia como melhorar mais uma engine daquelas a menos que você deixasse de usar uma engine especializada para visual novels. Até mesmo os tribunais de classe funcionam de maneira idêntica a antes, com exceção, claro, dos novos mini-games, tanto dentro dos tribunais quanto nos modos fora do jogo (isso é papo pra minha opinião).

Por ser uma versão para o Vita, que tem um hardware consideravelmente melhor, temos uma experiência quase que lag-free, rarissimamente travando ou dando problemas. Além disso, também tem suporte para o touchscreen frontal e traseiro em alguns minigames, mas fora isso, não tem tanta diferença quanto foi minha experiência no PSP, apesar de mais cômodo se fosse dizer uma vantagem.

Acredite se quiser, foi uma referência ao jogo Kira*Kira (a música Kimi no Moto he)
Quanto às músicas, temos várias músicas iguais do jogo anterior e algumas músicas novas. Elas têm uma vibe bem similar, mas ao mesmo tempo têm um tom original neles, dando uma sensação nostálgica bem legal. Claro, estamos falando de músicas de um mesmo compositor das músicas originais do primeiro jogo, então pode ter gente que critique isso, mas por mim, eu gostei bastante do trabalho realizado, já que não foi algo como "copia o ritmo, muda as notas". Algumas músicas genuinamente te deixa relaxado como se estivesse numa ilha tropical mesmo, ou mesmo sentindo a mesma aflição dos personagens do jogo. E claro, temos as músicas com guitarras, que pra mim são as melhores e mais cheias de emoção. Ah, e uma dica, jogue com um fone de ouvido bom, garanto que você vai aproveitar bem mais as músicas assim.

Na dublagem, mesmo sendo quase exclusiva para os tribunais de classe, é extremamente bem trabalhada, diria até que mais que no jogo anterior por terem personagens ainda mais peculiares e certas seiyuus famosas, como a Ai Kayano (Akane, de Kanojo ga Flag wo Oraretara, Shiro de No Game No Life), Miho Arakawa (Himari, de Mawaru Penguindrum) e, claro, Hanazawa Kana (Nadeko de Bakemonogatari, Kanade de Angel Beats, Marie de Persona 4 Golden Animation), que dubla a garota mais fofoda do jogo, Chiaki Nanami (TIREM OS OLHOS, SEUS PUTOS!).

Sério, referência até nos livros da série Guia Mangá? CARALHO, QUE GÊNIO!
Opinião

As similaridades deste jogo com o jogo anterior da série são grandes, admito, mas se você acha que a experiência é a mesma ou é repetitiva para quem já jogou o jogo anterior, você está muito enganado. Danganronpa 2 começa (e fica, por muito tempo) como um jogo independente, onde tanto um jogador novato quanto um mais veterano à série pode jogar sem qualquer problema e sem medo de não entender o que está acontecendo. Apenas lá beeeeeeeeeeem pro final que, na verdade, tem uma ligação entre os dois jogos que passa além do simples tribunal de classe que tem o mesmo sistema e progressão.

Afinal, o mais interessante disso é que o jogo muitas vezes referencia o jogo anterior de jeitos bem engraçados, não no sentido de dar spoiler pesado, mas no sentido de já ir revelando coisas nas primeiras horas de jogo quando o jogo anterior só revelava bem pra frente. Pode soar frustrante, mas não é nem um pouco, uma vez que refresca a memória dos jogadores e também abre caminhos para a solução de outros mistérios ainda maiores. Falando em referência, essas com certeza são as partes mais engraçadas do jogo, onde há célebres cenas ou falas que claramente foram usadas em obras mais famosas. Animes shounen, jogos clássicos e atuais, uma sátira com a indústria de eroges e visual novels tradicionais, termos otakus jogados aqui e ali, e até referências com outros jogos (tem até de God of War, é só jogar com o áudio em japa que você descobre) são apenas algumas das coisas que realmente fazem o ritmo do jogo ficar mais agradável e menos depressivo do que aparenta ser... isso, além das piadas que ocorrem entre os personagens, algumas genuinamente engraçadas.

O tribunal de classe continua dividido em etapas semelhantes ao do jogo anterior: Make Your Argument faz você achar controvérsias (ou mesmo concordar com certas frases, algo novo aqui) com as evidências corretas, Improved Hangman's Gambit faz você adivinhar uma palavra-chave ao acertar diferentes letras (e ô mini-game difícil do cassete pra se jogar no final do jogo!), Panic Talk Action faz você "destruir" escudos do seu oponente e revidar seus argumentos com uma evidência, e o Closing Argument é a minha parte favorita, onde tudo se encerra ao recapitular o homicídio em forma de mangá. Além disso, dois novos mini-games foram adicionados: Rebuttal Showdown, onde você deve atacar precisamente as palavras que uma pessoa diz para ganhar credibilidade em algumas asserções suas (como se fosse um oponente dando um "Objection!" na sua cara), e o Logic Dive, onde você controla um surfista prateado e responde certas perguntas referentes ao caso para deduzir alguma coisa e progredir no debate. São boas adições, além de agora haverem pausas em cada tribunal para relembrar o jogador de salvar e deixar o suspense subir ainda mais, algo bem interessante.

Em se tratando da história em si, não quero dar spoilers (ou, no mínimo, não quero dar spoilers de partes significativas), mas acredite, mesmo pra aquele(a) personagem pau no rabo que você odeia durante o jogo inteiro ou para a sua futura nova waifu/hasubando que você paga pau pra cassete, nada livra ninguém de suspeitas quando chega a hora da verdade, por mais suspeito que ele pareça ser no começo ou por mais boazinha que ela possa ser com o protagonista. Tudo isso mexe até com o psicológico do jogador (qual jogo melhor pra retratar isso que Virtue's Last Reward, hein?), que sempre vai ter provas ou motivos para suspeitar de tal pessoa, mas que na verdade vai estar caindo no plano do Monokuma de nunca confiar em ninguém, o que deixaria os estudantes todos isolados entre si e impossibilitaria o trabalho de equipe para sair da ilha de outra forma. Apesar de possuir apenas um final, lembre-se, o jogo é imprevisível em todos os momentos (eu diria que no capítulo 4 e 5 ficam menos imprevisível por reduzir o número de estudantes vivos, mas ainda assim), logo, não espere a mesma solução "copiada" do jogo original.

O jogo rende umas boas 30 horas fácil nas mãos dos jogadores que realmente querem aproveitar o universo da trama principal, mas se ainda assim você acha que é pouco, você ficará mais que feliz em saber que a história não acaba no final.

"Hã?"

Depois de completar a história principal, ainda há mini-games com a Monomi, que dá uma ou duas horas de diversão extra e esforço para platinar, um modo de jogo alternativo caso a Monomi derrotasse o Monokuma (e até é interessante, pois no final tem diálogos exclusivos, e alguns até impressionantes, dos personagens, mesmo pra mim parecendo um dating-sim disfarçado), e até uma versão digital traduzida da light novel Danganronpa IF, que conta o que ocorreria caso Ikusaba Mukuro sobrevivesse no jogo original (spoiler? Onde?). Isso sem contar a quantidade de coisa que tem pra comprar com os monocoins obtidos no final dos tribunais de classe, que compram desde presentes que podem ser dados aos personagens para obter Hope Fragments mais facilmente (e pra platinar o jogo) até liberar eventos, CGs, músicas e filminhos do jogo para você ver a hora que quiser.

Bom, dito isso, o jogo também tem algumas falhas, como ter alguns (poucos) erros de gramática inglesa aqui e ali, algumas CGs cujos escritos não foram traduzidos pro inglês em alguns flashbacks dos tribunais (sim, é confuso), e a horrível tradução para o inglês, totalmente inexpressiva perto da dublagem original. Há quem diga que o final do jogo também deixa a desejar por acontecerem algumas coisas não tão legais ou mesmo injustas, mas acredite, o FINAL final mesmo, no sentido das cenas antes dos créditos rolarem e do epílogo, até que passa uma mensagem bem massa, mesmo que deixando coisas sem respostas ou duvidosas.

Veredito Final
- Pontos Fortes 
      *História ainda melhor que do primeiro jogo
      *Personagens únicos e imprevisíveis
      *Quantia ignorantemente grande de referências à games, animes, visual novels e cultura otaku
      *Tribunais de classe continuam extremamente viciantes e imprevisíveis
      *Novos sub-modos nos tribunais de classe dão novo fôlego à série
      *Impressionante capítulo final
      *Muito conteúdo mesmo fora do jogo principal

 - Pontos Fracos
      *Alguns erros em diálogos onde o texto "vaza" da tela (não aparece por completo)
      *Infelizmente a maioria dos diálogos falados também só estão nos tribunais de classe
      *Dublagem em inglês é simplesmente frustrante
      *Algumas cenas podem não agradar todos

Nota: 9,5/10

Opinião final: É UM JOGO DO CARALHO

O que mais eu posso dizer? Nada, né? Então tchau.













Vale a pena comprar esse jogo?
Só um pouquinho... ͡(° ͜ʖ ͡°)
Você quis dizer: Vale a pena comprar um Vita só pra jogar esse jogo?

Resposta curta: vale, larga a mão de ser mão de vaca.

Resposta longa: Não importa se você é um novato em visual novels ou mesmo se nunca ouviu falar de Danganronpa antes, ou se você já é o cara pica que já leu Danganronpa Zero e vai comprar o Another Episode também (eu não faria isso se fosse você, mas ok). Danganronpa 2 é simplesmente fodástico, não deixa quem está começando por este jogo no escuro por ter um backstory muito bem explicado (mesmo que ainda assim seja bom dar uma olhada, pelo menos no anime), tem uma trama que se desenvolve num ritmo extraordinariamente bom, dá respostas bem concretas pra praticamente tudo que acontece na ilha (sério, até pra magia, os Monobeasts e até bugs dentro do jogo... sério), tem momentos bem engraçados, recheado de referências, viciante, um desfecho que liga os dois jogos certinho COM ESPAÇO DE SOBRA para ter uma continuação, que há quem diga ser o ponto final da série (buá, mas já?? NÃO ME DEIXEM NESSE DESESPERO!!!)

No mais, é isso. Eu particularmente comprei o jogo na pré-venda e não me arrependo nem um pouco disso, pois o jogo tem tanto conteúdo e é tão bom que vale cada meio centavo economizado. E tenho dito!
E que venha Danganronpa 3!
Espero que tenham gostado da análise de hoje. Enquanto isso, vou me dedicar a continuar aos meus outros afazeres até encontrar outro jogo massa para analisar. Até lá, pessoal!
Out.

sábado, 16 de março de 2013

Análise [7] - Sakurasou no Pet na Kanojo - Visual Novel de Anime dá (e muito) Certo Assim!


O final de 2012 foi uma época mágica para muitos fãs de animes devido ao tanto de lançamento que tivemos, tanto novas temporadas de séries famosas (Bakuman, Jormungand, To-Love Ru e Hiiro no Kakera) quanto os animes novos que estrearam naquela época (Little Busters!, Chuunibyou, K, Magi, Tonari no Kaibutsu-kun, Btoom! e tantos outros que não assisti/não acompanhei). Um bem curioso foi Sakurasou no Pet na Kanojo, produzido pela J.C. Staff (mesma de Little Busters! e outros animes como Ano Natsu de Matteru, Toradora e Toaru Majutsu no Index) que tem um visual bem bonito, várias personagens e uma história que começa bem bobinha, você não bota fé que aquilo vai evoluir e que não se passa de um anime de comédia romântica harém... mas com o passar dos episódios, muita gente se arrependeu do que disse, provando que um anime engraçado no começo pode se tornar um anime ambicioso, com várias lições de moral no meio, e uma história de amor que vai se desdobrando aos poucos.

O jogo de Sakurasou no Pet na Kanojo, lançado há mais ou menos um mês para PSP e Vita, conseguiu trazer o melhor dos dois mundos: a bela arte feita pela J.C. Staff com o roteiro bem detalhado da light novel original, e ainda colocando uma história relativamente simples, mas o suficiente para prender a atenção do jogador, além de contar com algumas adições bem interessantes em relação às demais visual novels lançadas para portáteis.

Mas chega de papo. Vamos à análise!

História e Rotas
O jogo têm várias CGs e eventos para todos os personagens principais, e se você gosta da série, vai querer ver todos eles. (e mesmo se não gostar, vai acabar gostando xD)
A história do jogo se passa após o primeiro arco do anime, que é a parte onde Sorata e todo o pessoal de Sakurasou fazem o jogo de Nyaboron para o festival da escola, mas num rumo diferente. Kanda Sorata, o protagonista do jogo, ainda com o seu sonho de ser um designer de jogos, fica sabendo de um novo concurso de desenvolvimento de jogos através de uma kouhai de sua escola, e também personagem exclusiva no jogo, Nakano Otoha. Com isso, ele tenta reunir todos os talentos da turma de Sakurasou para fazerem um último jogo antes dos veteranos Mitaka Jin e Kamiigusa Misaki se formarem e seguirem seus rumos individuais para as faculdades que têm as especializações que eles procuram seguir carreira, além de ajudar no sonho da Aoyama Nanami em ser dubladora profissional, ajudar na carreira de Shiina Mashiro como mangaká e com um pouco de ajuda de Ryuunosuke Akasaka na programação do jogo.

Até aí, nada de mais, é simplesmente o pessoal de Sakurasou fazendo mais um jogo... certo? ERRADO!

Curiosamente, Otoha acaba por entrar no grupo de Sakurasou para ajudá-los, mas uma rivalidade imensa entre este grupo e um grupo de programadores da mesma escola que Sorata e Nanami vai fazer com que nenhum dos lados queiram perder um para o outro e ver qual sonho será realizado e qual será destruído. Parece até que, ao jogar, você sente na pele tal rivalidade e se esforça ao máximo para conseguir o primeiro lugar, além de poder presenciar os vários momentos engraçados entre o protagonista e cada residente de Sakurasou.

Sobre as rotas, o jogo segue um padrão bem linear, sub-dividida em 4 períodos (planejamento, etapa alfa, etapa beta e o chamado Master Up), mas você basicamente tem três finais possíveis: Shiina Mashiro, Aoyama Nanami e Nakano Otoha, além de alguns bad ends no meio caso você não cumpra as metas estabelecidas em cada período e se você não ficar em primeiro lugar no concurso.

Traços, Trilha Sonora e Animação
Momentos engraçados não são poucos... e acredite, Sorata é um dos melhores protagonistas nesse quesito.
Os traços do jogo são um xerox dos gráficos do anime, o que eu achei bem bacana (não é por nada não, mas eu gostei dos gráficos da JC Staff para este anime). As personagens são bem desenhadas, tem quase que a mesma quantidade de detalhes de um episódio comum do anime, tem muitas CGs (muitas mesmo!), e apesar do lip-sync ser ridículo, não é algo que faça os demais aspectos do jogo deixarem de brilhar.

Quanto a animação, depende muito do que for considerar. Para os eventos normais do jogo, a animação é praticamente nula, apenas mostrando e ocultando diferentes personagens ou fazendo-as mudarem de expressão, além do lip-sync que falei anteriormente. Em alguns casos, quando um personagem enfrenta algum problema ou dilema na produção do jogo, os personagens mudam para um modelo em 3D, onde o comercial do jogo diz que é um 3D vívido e fluente. Eu esperava algo do mesmo nível de qualidade dos jogos de OreImo ou Haganai, mas infelizmente, o efeito 3D desses personagens é algo mal-feito e muito robótico. O lip-sync fica ainda pior, há bastante desproporção nas bocas e movimentos dos olhos das personagens e as animações dos personagens não são muito "realistas" por assim dizer. Isso me decepcionou e muito, mas por sorte, esses eventos são poucos e mal influenciam no rumo do jogo (só influencia no aumento de nível de intimidade com um dado personagem, para assim liberar mais CGs específicas).

A música é algo simples, não sendo horrível, mas também não sendo nada muito marcante. Algumas músicas em especial, como algumas que a Himemiya mostra ao Sorata para colocar no jogo, são bem melhores que a maioria, mas ainda assim, as músicas deixam o jogo no ritmo ideal, seja para os momentos engraçados, seja para os momentos de raiva, seja para os momentos de pressa, e seja para os momentos de tristeza,

Opinião
As personagens secundárias fazem várias aparições no jogo também, muitas delas notadamente engraçadas
O jogo seria tratado como a sua visual novel de qualidade abaixo da média se a análise terminasse aqui, certo? Pois é, só que temos outros fatores do jogo para cobrir antes de dar o veredito, e acredite, tudo faz o jogo ser melhor que você imagina. Primeiro vem o esquema de diretor do grupo, onde você deve planejar o que cada membro fará nos dias seguintes, até o prazo final, onde se deve ter todos os aspectos-chaves para passar. É algo incrivelmente bacana, pois são uma infinidade de opções para escolher até o dia de entrega do jogo final, lembrando bastante o que acontece num grupo amador de verdade: cada um faz a sua função, tem suas dúvidas que precisam ser esclarecidas antes de dar continuidade no seu trabalho, eles podem ficar doentes e não poderem trabalhar, e claro, temos os momentos em que eles se divertem juntos ou quando simplesmente uma conversa vai para um lugar totalmente diferente e imprevisível.

Se você não tiver uma boa base de japonês para saber o que cada um está fazendo ou falando, você pode sofrer bastante dos bad ends (que apesar de alguns serem engraçados, gera uma raiva de ter passado todo aquele tempo para não passar de uma certa etapa) e da linearidade do jogo, mas se você conseguir passar disso, você verá que o jogo se desenrola de uma maneira bem curiosa e imprevisível, tendo inclusive uns momentos bem tensos, como por exemplo, em um evento da Nanami onde ela não consegue passar em um teste para ser dubladora ou quando a Otoha é dada como traidora do grupo por vazar informações exclusivas do projeto de Sakurasou, mas no final, tudo acaba inesperadamente bem e ajuda você na hora de tomar diversas decisões no planejamento e nas raras escolhas que tem no jogo.

Ainda na mecânica de diretor, cada personagem tem dois parâmetros que refletem no progresso de seus trabalhos: uma barra indicando se o personagem está bem ou mal de saúde, sendo mais ou menos propício a ficar doente e incapaz de trabalhar, e uma barra de motivação, que quando maximizada, faz o personagem dobrar a sua eficiência e terminar a sua parte mais rápido (parece até vida real!). Apesar desses dois parâmetros poderem ser influenciados indiretamente ao descansar com eles ou ajudar nos afazeres de Sakurasou, os eventos que os personagens ficam confusos são totalmente imprevisíveis, o que pode causar algum incômodo quando, por exemplo, deve-se completar uma determinada tarefa, mas ter que parar para resolver os problemas desses personagens, já que eles não trabalham enquanto estão confusos.

O jogo é consideravelmente longo, durando fácil entre 15 e 20 horas, ou até mais caso tenha que voltar algum save ou caso queira liberar todos os eventos de todos os personagens... mas você acha que compensa liberar tudo? Se você achava que não, agora as coisas vão mudar, porque um dos pontos fortes do jogo são os seus extras, além de ter MUITOS eventos engraçados.

Só que não é simplesmente engraçado, é inesperadamente engraçado. São eventos que você não prevê, como quando a Mashiro esquenta sua calcinha no micro-ondas no inverno, ou quando a Misaki dá uma de jogar numa ilha deserta à lá Lost, ou quando a Nanami solta as suas frases de dialeto Kansai quando fica nervosa ou na dublagem de um tigre de pelúcia, ou quando Sorata ensina a Otoha a mexer no computador melhor e passa a Sengoku alertando para o Sorata não mostrar seus pornôs para ela, ou até mesmo num evento onde Sorata acorda e se depara com um tigre de verdade no seu quarto... é MUITO evento engraçado, fora umas piadas muito bem boladas envolvendo kanjis e pronúncias (como chamar o Akasaka de "Otoko no Ko", mas este "ko" como kanji de menina e fazendo ele vestir roupas de menina, ou de "Kurisumasu", de natal, com o "Kuri" como noz e a Misaki trazer um monte delas para comemorar) que, mesmo na hipótese de você não entender imediatamente a piada, você ri só pelas reações (super) exageradas do Sorata e nas personalidades típicas de cada personagem, como o jeito de falar da Misaki e as brigas entre a Shiina e a irmã mais nova de Sorata.

... e o que seriam esses eventos secretos? Ainda mais cenas inesperadas que aparecem nos momentos mais inoportunos (como quando você vai fazer as tarefas de Sakurasou, onde de vez em nunca ativa um evento secreto dependendo da motivação dos personagens), além de também liberarem CGs dos mais diversos tipos e até mesmo free-talks, que são comentários das próprias dubladoras originais do anime, parabenizando-o por completar o jogo e falando o que ela achou de participar do anime e suas primeiras impressões nas personagens, que também rolam uns comentários bem engraçados e inesperados. Pode não parecer muita coisa, mas o jogo se torna tão viciante com isso que dá gosto de liberar tudo que o jogo tem a oferecer.

Veredito Final
Nem o Akasaka se livra das peripécias.
 - Pontos Fortes 
      *Grande número de CGs
      *Praticamente o jogo inteiro é dublado
      *As personagens e o protagonista são cativantes
      *A mecânica de trabalho como diretor do grupo
      *História consegue ficar viciante muito rápido
      *Muitas cenas engraçadas fazem você se amarrar no jogo
      *Vários eventos secretos e extras para liberar
      *Desfecho e finais não desapontam

 - Pontos Fracos
      *Péssima animação em 3D, animação em 2D poderia ser melhor
      *Muito linear, apenas influenciando o final na última escolha
      *Pode ser difícil entender as piadas sem um bom conhecimento do japonês e da cultura nipônica
      *Frustrante nas primeiras tentativas, quando não se cumpre metas ou não se sabe o que fazer
      *Eventos randômicos como membros doentes e confusos podem ser frustrantes caso queira liberar mais eventos de uma certa heroína em específico ou para desbloquear todos os extras

Nota: 8,0/10

Opinião final: Esse jogo é um achado, praticamente. Apesar dos seus defeitos, ele pega os melhores elementos do anime e da light novel, misturam num roteiro canônico e fazem o jogador se viciar nele quase que com perfeição. Não digo que é um daqueles jogos que você terá o prazer que jogar várias vezes porque a grande maioria dos eventos se repetem, mas para os eventos que você ainda não viu e os secretos, vale muito a pena correr atrás deles.

E olha, faz tempo que não joguei uma visual novel assim, que me prendeu tanto no jogo ao ponto de sentir na pele tudo o que os membros do grupo passavam, rir nas diversas cenas e interações deles, me preocupar com a colocação do jogo à cada semana e planejando como prosseguir para tentar ganhar o concurso, e claro, vibrar quando o jogo acaba sendo o vencedor e presenciar o grande e engraçado momento de premiação de Sakurasou, além de um discurso muito imprevisível de Sorata no final e, mesmo após rolar os créditos, o grande final da personagem que você escolheu, com aquele final romântico que você torce tanto para acontecer e explode de alegria ao ver que o casal termina feliz para sempre, com ainda mais planos e planos mais ambiciosos para o futuro.

Se você gosta da série, é um must-play, mas se você não gosta ou não tem tanto conhecimento de japonês, pode ser que você ache o jogo estranho, mas ainda assim, se puder dar uma jogada de leve, é um jogo que vale a pena o tempo gasto... e se você dropou o anime, seja lá por qual motivo, uma chance para você aproveitar do melhor de Sakurasou e companhia!

Vale a pena comprar esse jogo?
Eu... recomendaria até, se você gosta da franquia e do universo de Sakurasou... uma pena que jogos orientais sejam tão caros de importar (fora que o preço de catálogo deles já são mais caros de qualquer jeito). Claro, partindo do princípio que você gosta de visual novels e está disposto a abrir o seu dicionário de japonês para os diálogos mais complexos (especialmente dos Akasaka e da Maid-chan), pois caso você ainda esteja começando a descobrir o maravilhoso universo de visual novels, tenho outros jogos para recomendar aos iniciantes antes disso (y).

O final vai fazer você roer suas unhas, mas não vai te decepcionar em nenhum aspecto... à menos que você espere "aquilo" de um VN all-ages, né...
E com isso terminamos mais uma análise de visual novel. Espero que tenham gostado, e tenham uma boa semana!
Out.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Análise [6] - Chaos;Head - Como um Otaku Desiludido Salva o Mundo com Desilusões

Chaos;Head foi simplesmente a base para Steins;Gate, então você deve ter idéia de onde isso vai dar.
Se você leu o meu resumo sobre visual novels, você sabe que a Nitroplus faz visual novels fudidas e muito bem feitas, seja no roteiro ou na arte dos cenários e CGs e na sua trilha sonora. Basicamente, a 5pb tinha uma idéia genial de visual novel para fazer, mas para que essa tivesse a verba necessária para sair algo bem feito e que pegasse a atenção dos consumidores, ela decidiu fazer uma parceria com a Nitro+ no que viria a ser a série de "Aventuras Científicas", histórias que misturam aspectos, fenômenos e relatos reais para moldar uma história fictícia, mas ainda bem fiél aos princípios da vida real (no sentido de não ter coisas escrotas como "pular de um prédio muito alto e sobreviver" ou "tomar um monte de soco e ainda conseguir virar o jogo" e coisas assim). Mesmo se o jogo introduzir algo que aparenta ser "marmelada", praticamente tudo que acontece tem um motivo e tem explicação, implícita ou não, o que faz o jogo te sugar para o seu universo, não apenas no sentido de entender o que o personagem sente e em seu medo, mas sim no sentido de viver o que o personagem passa, dando a impressão que tudo que acontece em torno do personagem principal está acontecendo com você, e que você também poderia desenvolver o mesmo grau de insanidade do personagem nestes momentos.

Chaos;Head foi um jogo lançado em 2008, originalmente para PC, mas que logo depois foram lançados versões para Xbox, PSP, PS3 e até mesmo para Android. Sua tradução foi dada por parte da TLWiki, grupo independente que já traduziu (e ainda traduz) várias visual novels para o inglês, dentre elas, Moon., Symphonic Rain, Remember11, G-Senjou no Maou e uma renca de outros jogos da Nitroplus, que não foi por menos que alguns tradutores que participaram desses projetos agora trabalha para a Jast USA, que está traduzindo jogos dela (e de outras empresas também) comercialmente.

Bom, vamos à análise agora!

História e Rotas
Tudo começa  com um começo super misterioso, indo pra um ritmo mais devagar, mas evoluindo bem rápido nos próximos capítulos
Depois dos primeiros minutos épicos e apocalípso apocalípticos, você encarna um estudante de segundo ano do colegial do colégio Suimei, chamado Nishijou Takumi, um hikikomori (pessoa que fica enclausurado dentro de casa na maioria do tempo, raramente tendo amigos e que se dá muito mal ao tentar conversar com outras pessoas) otaku que vive jogando um MMORPG e comprando figures de sua série de anime favorita. Ele raramente vai à escola, indo até o ponto de montar um cronograma de presença mínima, onde ele vai o mínimo de dias possíveis para a escola, e tem apenas uns poucos amigos e uma irmã mais nova, que apesar de muito alegre e enérgica, não consegue se aproximar tanto de seu irmão mais velho.

Um dia, um amigo virtual dele chamado Shogun mostra algumas imagens para o Takumi olhar, e quando ele abre o link dessas imagens, revela-se um homicídio grotesco, com um homem cruxificado em um beco à noite. Assustado, Takumi tenta com todas as suas forças pensar que fora apenas uma brincadeira de mal gosto, mas após sair um dia para fazer compras, ele acaba por encontrar a mesma cena que Shogun havia tirado foto, mas desta vez quando o crime havia sido cometido recentemente por uma garota de cabelo rosa, que coincidentemente estuda na mesma escola que Takumi, além de mais pra frente ser revelado que ela era amiga de longa data dele.

A partir daí, esses incidentes são denominados de "New-Gen", onde pessoas morrem das maneiras mais insanas e cruéis possíveis. Ao passo que Takumi tenta não se abalar com os acontecimentos e tentar viver a sua vida como ele costumava viver, mal ele sabe que cada ato que ele faz e cada pessoa que ele conhece a partir daí o puxará para uma conspiração que ele sequer imaginaria e que vai muito além de um assassino em série sedento por sangue. Pra piorar tudo isso, Takumi passa a ter cada vez mais desilusões daí em diante, fazendo-o perder o senso de realidade e ter mais dificuldades em determinar o que é real ou não, ou o que aconteceu de verdade ou o que foi um simples produto de sua loucura.

O jogo é dividido em 10 capítulos, tendo duração de cerca de 2 horas e meia cada um. O jogo é incrivelmente linear, mesmo com seu inovador sistema de desilusões, e apenas em duas cenas que o jogo pode mudar de rumo para um Game Over ou para decidir se o seu final será bom ou "mais ou menos". Até tem um Bad End no jogo, mas para isso você terá que zerar o jogo uma vez e fazer uma sequência de escolhas bem específica para abrí-lo, e ainda assim não vale muito a pena vê-lo (a menos que você goste de um final totalmente desesperançoso e de alguns assassinatos extras que são revelados nessa rota), por isso que o jogo é quase que uma "kinetic novel com bônus!", e apesar de termos alguns momentos engraçados ou simplesmente non-sense no jogo, o grande foco dele é na sua complexa história e na evolução de seus personagens, então se você espera H-Scenes, esquece. Nem a versão 18+ tem isso aí (a versão pra Xbox 360 tem tal indicação... acredite se quiser).

Traços, Trilha Sonora e Animação
A arte do jogo é simplesmente sensacional. Pode não ser nada foto-realista, mas é muito show.
 Os traços do jogo, como disse, são muito bem feitos. Há um ótimo contraste das cores usadas nas personagens com os tons usados para o resto do cenário e até mesmo em efeitos especiais. O trabalho dado nas CGs de ambiente e demais planos de fundo são coisas simples, tanto que no quarto do Takumi por exemplo é possível ver alguns objetos distorcidos, deformados ou simplesmente "estranhos", mas nas CGs de personagens e de certos eventos, a riqueza de detalhes é impressionante, bem como fiél nas proporções básicas dos corpos das personagens e de outros objetos pertencentes ao cenário.

A trilha sonora é uma das mais envolventes possíveis. Mesmo tendo uma ou outra música mais calma e outras para momentos divertidos e surreais (no bom sentido), o grande foco são nas músicas de suspense. Não estamos falando de terror, que são aquelas músicas que dão um pico grande em certos pontos para fazer você se assustar mais da música do que da cena, mas sim de músicas aparentemente calmas que logo ficam arrepiantes, ou de músicas cheio de batidas pesadas para compartilhar o sentimento de desespero do personagem principal. Não tem como definí-las com palavras, mas já digo que é uma trilha sonora empolgante, muito bem feita e que não enjoa mesmo se você ficar meia hora numa cena ouvindo-a.

Quanto às animações, temos os portraits das personagens que movem seus lábios enquanto falam (apenas de não possuir nenhum lip-sync) bem fluente, mas o que surpreende mesmo são nos filtros de imagem usado ao enfrentar alguma desilusão ou em efeitos especiais de alguns eventos, que inclusive chegam a ser um 3D muito bem feito.

Opinião
Muitas CGs sangrentas desse tipo lhe esperam. Isso dá medo, ainda mais nos diálogos dessas cenas.
O que o jogo tem de mais? O jogo simplesmente pega um personagem que ninguém botaria fé e o faz ser o centro de tudo que acontece no anime. Mortes por todo lado? Culpa do Takumi! Terremoto de 7.1 na escala Richter? Culpa dele! Sua irmã morreu? Culpa dele! Escreveu um monte de bobagem quando era criança e alguém pegou aquilo para um plano de domínio mundial no maior estilo 20th Century Boys? Culpa sua, Takumi!

Exagero ou não, muitas coisas revolvem em torno do Takumi que ele mal sabe, e ainda assim, nos momentos em que a narração passa para um outro personagem ou para uma narração em terceira pessoa, o jogo faz de tudo para que você se convencer que é uma possibilidade válida. Isso, ou você vai torrar vários dos seus miolos para tentar descobrir o que está acontecendo no jogo. Quem é o Shogun? Por que a Sakihata Rimi mataria um cidadão qualquer? Qual o objetivo do New-Gen? Quem são os Gigalomaniax? Di-Sword? Por que a Kozue só fala através de telepatia? Quem são os Cavaleiros Negros que a Ayase tanto fala em suas músicas? Quem é essa N.O.Z.O.M.I. que aparece de vez em quando falando um monte de bobagens sobre anti-partículas e pontos-cegos? As dúvidas são quase infinitas, e quando você acha que obteve a resposta definitiva para algumas de suas perguntas, o jogo introduz um fato novo que potencialmente quebra com todas as suas teorias de antes e o deixa ainda mais confuso, deixando as respostas definitivas apenas nos dois últimos capítulos do jogo.

O jogo, tirando os seus primeiros 10 minutos de introdução, é bem lento e repetitivo, onde o Takumi passa vários e vários minutos em seu quarto falando sobre praticamente nada, ou mesmo quando algo de bom acontece, ele falha em pensar direito como alguém normal faria, mas por bem ou por mal, o jogo se aproveita disso para deixar o jogador formular as suas próprias teorias e cronologias. Por mais que o diálogo esteja chato em alguma parte, pular algumas linhas de texto pode ser o fator decisivo entre entender o que está acontecendo ou ficar ainda mais perdido na história, ainda que seja um saco ter a impressão que a última hora de linhas que você leu serviram pra quase nada no desenvolvimento da história.

O jogo ainda possui alguns defeitos sim, como a sua linearidade para um jogo tão longo (poxa, olha Fate/Stay e Cross Channel, que tem várias rotas que não se contradizem e até aprofundam mais na história em meios que não seriam viáveis normalmente) e seus "finais", que apesar de rolar uma batalha parruda muito bizarra e arrepiante, tem finais um tanto decepcionantes, mesmo o "true end" do jogo. O jogo também falha em fechar alguns pequenos detalhes para os mais minusciosos, como quem eram a Meiwa Party e o Comitê dos 300 (isso sem contar no "poderzinho" da última batalha que pareceu uma tentativa forçada em apelar pra um chefão igualmente apelão), mas ainda assim, os pontos principais da história se conectam direitinho, dando uma satisfação grande ao completar o jogo.

Veredito Final
A batalha final é do capeta, e é ela que vai decidir qual final você terá
 - Pontos Fortes 
      *Grande número de CGs
      *Trilha sonora envolvente
      *Personagens que afetam diretamente a história de algum modo.
      *Complexidade na história
      *Ótimo teor de suspense com cenas violentas
      *Viciante e que incentiva a pensar
      *Possui algumas referências/cenas/desilusões cômicas para descontrair

 - Pontos Fracos
      *Pouca consequência nas escolhas
      *Muito linear
      *Finais um tanto decepcionantes
      *Alguns eventos e termos não são bem explicados (mesmo tendo glossário e tudo)
      *Demora um pouco para chegar nos capítulos mais interessantes

Nota: 8,0/10

Opinião final: Primeiramente, quero mandar pro Lucifer todos aqueles que xingam o anime sem terem jogado o jogo por completo, pois por mais que alguns eventos do anime sejam diferentes que os do jogo (e lógico que seriam, pra compilar 25 horas de jogo em 12 episódios é foda...), o anime é fiél ao jogo, tanto na personalidade do personagem principal quanto na das heroínas e na disposição de informações ao longo da série.

*aham* voltando ao jogo... é um jogo muito bom que inclusive me fez lembrar de (acredite) Accel World. Muita gente não gostou do começo por parecer que o anime "não iria pra frente", mas que depois de alguns episódios, se torna uma série extremamente estável e empolgante. Por mais que tenha os seus defeitos, a história fará com que você vicie na série, e por mais que a sua qualidade não seja igual a de Steins;Gate, ainda assim é uma visual novel memorável, digna de ter o nome da Nitroplus nela. Recomendo a todos que gostem de uma boa e longa história onde o improvável fica mais abstrato do que você imagina.

Vale a pena comprar esse jogo?
Se tivesse em inglês, recomendaria sem problemas. Por mais que seja um jogo com o começo lento, é um jogo muito bom... vamos ter que esperar para a Jast USA lançar uma tradução oficial dela primeiro, né... se você assistiu só o anime da série, ainda assim vale a pena jogar o jogo devido aos eventos extras e devido a algumas cenas que foram censuradas (ou cortadas) no anime.

Escrito na foto: O Primeiro Trio Gigalomaniax! Ah, Orihara Kozue e Aoi Sena, as duas personagens mais fodas da série!
E com isso terminamos mais uma análise de visual novel. Espero que tenham gostado, e até a próxima!
Out.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Análise [3] - Sora no Otoshimono: Doki Doki Summer Vacation


Sora no Otoshimono. A famosa série de mangás de Suu Minazuki, que atualmente está com 16 volumes em formato tankoban publicados no Japão e 8 aqui no Brasil, que até rendeu duas (com a terceira confirmada!) temporadas de anime, com animação da AIC A.S.T.A (To Heart, Persona 4 The Animation). É claro que não podia deixar de ter alguns jogos para ele, certo? Até o presente momento, temos apenas 2 jogos da série já publicados: um para Nintendo DS (Sora no Otoshimono Forte: Dreamy Season), e outro para PSP (Doki Doki Summer Vacation), sendo este último o tema da nossa análise de hoje... pois eu sou pobre e não tenho um DS até hoje >,<.

Este jogo foi lançado em 2010 pela Kadokawa Shoten, distribuidora de outros jogos de animes e visual novels como Baka to Test, AKB48, Toaru Majutsu no Index e ports para PS2 e PSP de jogos como Fate/Stay, Shuffle! e Da Capo. Sobre o jogo em si, ele se trata de uma visual novel com elementos de puzzle. Não, nada de RPG desta vez, é puzzle mesmo.


A histórinha é simples: baseando-se na primeira temporada do anime, Tomoki Sakurai e companhia finalmente entraram de férias, e Tomoki quer simplesmente passar as férias de maneira bem tranquila e sem preocupações maiores. Entretanto, em um evento estranho e desconhecido, Ikaros perde toda a sua memória, lembrando-se apenas do fato de Tomoki ser o seu mestre e dos nomes de seus amigos e amigas. Para recuperar a memória dela, Sugata tem uma grande idéia:

JOGOS DE CARTAS EM MOTOCICLETAS!!!

Digo, ensinar para ela os sentimentos dos humanos, e em alguns momentos-chaves, fazê-la lembrar de alguns momentos divertidos que eles passaram juntos. Com isso, entra o elemento de puzzle, que basicamente, ao desafiar uma oponente para um jogo de quebra-cabeça (que estarei explicando melhor depois), dependendo do resultado, você ganha um certo número de cartões de teletransporte que ativam certos eventos e que alteram 4 diferentes parâmetros da Ikaros: felicidade, tristeza, vergonha e raiva. Dependendo do nível de cada um desses parâmetros, novos eventos são liberados, e quando todos atingem o seu nível máximo, a Ikaros "aumenta de nível", ativando um novo evento único e habilitando novas roupas e personagens para serem seu oponente. Parece complicado, mas acredite, não é.
Pra que servem os eventos...? Simplesmente para você dar risada das reações do Tomoki, Sohara e Nymph. Nada de história melodramática (apesar de ter sim alguns eventos arrepiantes de uma certa forma) ou que se desenvolve drasticamente. É um joguinho bem light para distrair enquanto não há nada para fazer. Por incluir apenas os personagens da primeira temporada do anime, algumas personagens como a Astraea e a Hiyori não estão presentes, o que dói o coração dos fãs mais ávidos, mas as personalidades de cada um estão intactas e a dublagem é quase que idêntica ao do anime, o que é bom.


Sobre o elemento de puzzle, é bem simples até: você e o seu oponente ganham peças aleatoriamente no início da partida, e pode colocar a peça que desejar no espaço equivalente do campo do tabuleiro, com uma pequena exceção: para se colocar a peça em algum lugar, deve-se ter, no mínimo, um lado da peça em contato com a área inicial do tabuleiro (normalmente o centro) ou de uma ou mais peças suas e/ou do oponente. O número de pontos que você ganha é o número de lados em contato vezes 5, e se com essa peça você completar uma das áreas especiais do campo, você ganha pontos igual ao valor referente àquela área. É um puzzle simples depois que você pega o jeito da coisa e a inteligência artificial não é tão difícil mesmo nos níveis mais altos, o que deixa o jogo bem acessível tanto para experts em puzzles quanto para novatos. Além de ter vários oponentes para se escolher, cada um deles têm uma habilidade especial, que, caso ele pegue o "poderzinho" para poder usá-lo, pode gerar diferentes efeitos no jogo como eliminar uma peça do adversário ou roubar uma peça dele, exigindo um grau maior de cautela e diferentes táticas para usar dependendo do adversário.

Eu não digo que é um puzzle viciante como as engines de jogos TCG como Yu-Gi-Oh e Magic ou como outros mais famosos como Bejeweled e Peggle, mas não deixa de ser um puzzle divertido. Uma pena que não dê para jogar com um amigo, já que o elemento de puzzle pode se tornar um tanto enjoativo depois de um tempo e não haver praticamente nada para se fazer caso isso aconteça.

"Uohoho! Ikaros-chan, ittai nani wo...!!!"
Por fim, temos os eventos do jogo. Para os novatos em japonês, eu tenho boas notícias para vocês: a linguagem do jogo é muito fácil de se entender, mesmo não possuindo furigana (a pronúncia dos diferentes kanjis acima deles) em praticamente todo o jogo. O diálogo entre os personagens é algo bem casual, e mesmo os personagens possuirem diferentes maneiras únicas de falar dependendo do grau de formalidade que eles usam, é um excelente jogo para você treinar o seu japonês e até descobrir algumas palavras novas, ainda mais com os nomes das cartas de teletransporte que têm (e explicam) vários termos comuns como dó, curiosidade, estresse, trauma, moral, anseio, fé, dúvida, agradecimento, e tantos outros. Por mais que não haja furigana nos kanjis, são kanjis simples para se procurar em dicionários e tradutores online.

Para finalizar, os gráficos do jogo são bem medianos por assim dizer. Não que sejam feios, mas eles simplesmente pegaram os moldes das personagens da versão do anime e tranferiram para o jogo, até mesmo para as CGs deles (que são poucas, diga-se de passagem). É um visual bonito para quem apenas acompanhou o anime da série, mas para quem também leu o mangá, sentirá um pouco de decepção.

- Pontos Fortes
      *VN de Sora no Otoshimono *---*
      *Boa dublagem
      *Elemento de puzzle simples e bem-feito
      *Bom para iniciantes em japonês desenvolverem o vocabulário

 - Pontos Fracos
      *Pode enjoar fácil
      *Poucas CGs
      *Gráficos poderiam ser melhores
      *Não tem modo multiplayer

Nota: 6,0/10

Opinião final: Não entenda como um jogo ruim. É um jogo bom e tem os seus eventos divertidos, mas se você esperava um jogo com história complexa e um elemento de puzzle viciante, daí já é demais. Os gráficos são bons, melhores até que a versão para Nintendo DS que veio no ano seguinte, mas não tem aquele charme de Visual Novel propriamente dito. A história dura umas boas horas, mas não há muitas CGs para admirar. Como um jogo para se jogar apenas de vez em quando e aprender japonês com isso, é um jogo bem legal de se começar, mas se você já esperava mais que isso, daí é melhor nem chegar tão perto assim... a menos que você seja um fã beeem grande da franquia (né, Out?) ^^'


Isso termina a minha análise e o post de hoje. Até a próxima pessoal!
Out.