sábado, 30 de março de 2013

Análise de Anime [7] - Oretachi ni Tsubasa wa Nai

Anime baseado em visual novel da Navel e character design da Aoi Nishimata: SEU ARGUMENTO É INVÁLIDO! (ou deveria ser)
Navel. Este é o nome da empresa que fez o jogo que mais marcou a minha vida pra época que eu joguei, além de fazer eu me interessar (pra caramba) em visual novels e, se duvidar, se não fosse por ele talvez nem este blog e nem as nossas traduções estariam aqui hoje. O jogo que me refiro é Shuffle!, mas há ainda um sucessor espiritual (como diria o Lighty) para este jogo, chamado de Oretachi ni Tsubasa wa Nai (algo como "Nós não temos Asas", mas a tradução "oficial" em inglês é "Under the Innocent Sky"), lançado originalmente em 2009 como visual novel e que ganhou anime em 2011 pelo estúdio Nomad, mesmo estúdio de Ouran Host Club.

Mas tem o seguinte lance: a visual novel original da série é gigantesca (há quem diga que ULTRAPASSA Fate/Stay Night, ainda mais na versão expandida do jogo) e ainda contém fandiscs contando os acontecimentos antes e depois do jogo original, e o anime só tem 12 episódios... será que a adaptação foi boa mesmo (lembre-se que a visual novel do jogo é considerada uma das melhores de uns tempos para cá)? Ou será que esbarraram legal na adaptação e criaram uma monstruosidade?

Bom... *estrala os dedos*... isso você vai descobrir logo, logo...

História
Claro que teria uma referência escondida de Sekai Seifuku Kanojo, a visual novel que sucedeu Oretsuba, da Navel no próprio anime... e... aquela ali é a Primula???
<--- música para ouvir enquanto lê a análise ^^

Contar a história sem dar spoilers é impossível, mas tentarei manter no mínimo possível.

A série se passa numa cidade fictícia chamada Yanagihara, e o rumo da história se divide em três protagonistas: Haneda Takashi, um estudante de colegial que misteriosamente é namorado de Watarai Asuka, a tsundere que namora com ele aparentemente sem motivo, Chitose Shuusuke, um trabalhador sempre bem disposto e enérgico do café Alexander e que faz um bico para uma editora escrevendo análises de livros, e Narita Hayato, um quietão e valentão que anda por aí de noite em busca de alguns trabalhos temporários e que tem seus amigos da vida noturna.

A história de Haneda é misteriosa e conta a história de um mero estudante colegial, que de quebra é representante de classe, mas que, estranhamente, de tempos em tempos, se separa do mundo real para um reino fantasioso chamado Gureta Garudo, onde ele é o cavaleiro mais forte do reino e que deve salvar a princessa Asuka (ou mesmo participar das batalhas com ela) sempre que necessário. A parte de Chuusuke mostra a vida enérgica de trabalhador junto ao engraçado dono do bar Alexander e suas garçonetes, mas que mais tarde se junta com Tamaizumi Hiyoko, uma escritora cujo livro mais recente é a próxima análise do colunista e que acaba por trabalhar como garçonete no bar também. A história de Narita, com um bom toque de ação e cenas inesperadas, mostra a jornada dele ao ter que encontrar a bicicleta de Ootori Naru, irmã de Ootori Kakeru, líder de uma das gangues mais barra-pesadas da região leste da cidade, a Yanagihara Flame Birds, arqui-inimiga da R-Wing, e com isso acaba por se envolver em muitas coisas que ele não deveria.


A série ainda conta com, no mínimo, duas sub-heroínas para cada protagonista, além de uma renca de personagens secundários (eu particularmente perdi a conta, ainda mais que no último episódio têm mais personagens ainda) e a última heroína, Haneda Kobato, cuja "rota" consegue interligar todos os personagens de uma forma inesperada e bem marcante. Como disse, o anime tem 12 episódios, mas que poderiam ser facilmente reduzidos em 8 ou até menos, deixando passar muita coisa e deixar muitas outras corridas ao extremo... o motivo? Continue lendo e você entenderá.

Animação e Trilha Sonora
Todas as personagens têm jeitões que agradarão o telespectador. Tamaizumi e Naru são minhas favoritas xD

A animação é boa, mas se comparada com os visuais de outros animes de 2011 ou 2010, diria que está abaixo da média. Muitas cenas e episódios têm várias desproporções nas personagens e o lip-sync deles poderiam ser melhorados facilmente. Os movimentos dos personagens são realistas até certo ponto, mas em vários casos aparecem aquelas cenas em que a física é jogada fora e há vários peitos balançando e realces nas saliências das roupas íntimas das personagens, tudo para o bem da ênfase ao fanservice.

Apesar disso e de vários toques que tentam imitar animações da Shaft (Madoka Magica, Denpa Onna to Seishun Otoko, Bakemonogatari, ef ~ A Tale of Memories/Melodies~), tudo contribui para o humor escancarado da série (que também tem várias cenas como aquelas no jogo), tanto nas cenas 100% fan-service até cenas em que você espera um desenrolar sério, mas no final ela acaba de maneira bem engraçada.

Quanto à trilha sonora, ela puxa várias faixas de Acchorike, que pra quem não sabe, é o produtor original de uma caralhada de músicas dos títulos da Navel, inclusive nos mais recentes dela. Praticamente todas elas foram tiradas da visual novel e todas elas dão o ritmo certo para a cena que está ocorrendo. A qualidade é muito bacana de se ouvir no seu celular ou nos seus momentos de descanso. As músicas de abertura e encerramentos do anime também são bem viciantes, fazendo valer a pena ver cada episódio do começo ao fim só por causa delas.

... mas isso quer dizer que os episódios são um lixo e só a música é boa?... em alguns casos, até digo que sim, mas vamos por partes antes de concluir com a análise.

Opinião, Pontos Fortes e Fracos
Por melhor (ou pior) que seja a comédia do anime, a história se desenrola devagar, dando pistas bem breves em alguns momentos, até revelar tudo nos 2 últimos episódios de uma maneira bem...

Eu esperava que o anime me surpreenderia, por ser baseado na empresa que eu tanto adoro e com uma história tão complexa, com tantos personagens e devido ao tamanho das rotas do jogo. Felizmente, o anime conseguiu me surpreender. Infelizmente, não foi o tipo de surpresa que eu esperava.

Pra começo de conversa, muita gente (e eu me incluo nessa) achou o primeiro episódio da série HORRÍVEL. Ao mesmo tempo que ele tenta introduzir os protagonistas (e, até o quarto episódio, as heroínas principais), ele faz isso da pior maneira possível, usando e abusando de piadas e cenas entupidas de sexual innuendos, implícitos e explícitos (sério, tem uma cena de "sexo" no episódio 8), praticamente tornando o anime em uma comédia bem apelativa, mas que ainda assim funciona e muito bem.

Claro, mas não podemos nos esquecer da história... qual história? Nesse meio de fanservice e piadas apelativas na série, ele te dá várias pistas sobre o relacionamento dos protagonistas (similar, digamos, à Chaos;Head e a ligação do Nishijou com os Gigalomaniax). Até o episódio 3, as pistas são bem escassas e que pode até lhe dar uma impressão falsa do que pode ser tal relação, mas do final do 4º episódio em diante, o assunto começa a se expandir e quase que fica sem sentido algum, mas nos seus últimos episódios, consegue ligar os pontos de uma maneira espetacular, daquele jeito em que toca o coração das pessoas e fazem as peças se juntarem brilhantemente (isso se você entender a história, pois pode ser que àqueles que viram correndo percam algumas minúscias e não entenda o último episódio que, à primeira vista, não faz sentido).

Beleza, então temos bastante comédia, boa música, e prestando bastante atenção na história o anime revela ter uma história capetal... tá, e quais são os pontos negativos da série, então?... bom... quase todo o resto... infelizmente...

"Como assim, todo o resto?"
Primeiramente, os primeiros episódios do anime não te dão qualquer incentivo para assistir a série por parecer mais um anime de comédia do que um anime com história bonitinha e tudo mais. No máximo, você aguentará pelas partes de ação da história do Narita e a partir do finalzinho do episódio 4, onde a ligação dos protagonistas começam a fazer sentido e dar início a muitas teorias, mas ainda assim, nos episódios posteriores, ainda têm várias cenas de nonsense e comédia (que algumas vezes falham em serem engraçadas) e parece que a história fica meio de lado até o finalzinho mesmo do anime.


Segundo, vêm as rotas das personagens. Elas são ridiculamente mal-interpretadas, e tirando a parte da Kobato, falham em transmitir fortes sentimentos. Mesmo você gostando da personagem e falar "Caraca, essa história vai ficar boa!"... ela não fica tão boa. É como se a rota da personagem começasse, chegasse no seu clímax, mas na hora do desfecho o estúdio viu que os episódios tavam acabando e colocaram finais decepcionantes, com vários nós sem pontas, dando a impressão que as heroínas estão lá só de enfeite e que a trama principal é o mistério entre os protagonistas... o que não deixa de ser verdade, mas no jogo tem bem mais coisa que isso.

Terceiro, o TANTO DE PERSONAGENS! Puta que o pariu, é tanto personagem bacana que não se desenvolve... chega a ser deprimente. Tá certo que com 12 episódios você só pode dar foco em alguns personagens, mas podiam ter se esforçado em, já que é esse o caso, dar foco nas heroínas, pô! Eu tive que assistir o anime duas vezes (sim, eu repeti um anime, olha o ponto que cheguei!) pra me lembrar dos nomes de cada um, e ainda por cima, pra nada, já que eles não fazem quase nada no anime, tirando participarem das cenas engraçadas.

Quarto e mais importante, o tanto de coisas que deixaram sem explicar. Como diabos Gureta Garudo surgiu, e, se ele era mesmo um sonho, como que os outros personagens sabiam da existência dele? Como que a Asuka virou namorada do Haneda? A Hiyoko teve sucesso na publicação da sua outra obra ou não? Por que exatamente a Naru se separou da sua mãe? O que estava escrito no Pocket Bell dela? Pra que serviu o dinheiro que Shuusuke e Narita arranjaram? Como diabos o Youji tinha várias aparências dependendo de quem olhava para ele? Tem alguma ligação disso com Gureta Garudo ou não? Por que Karura foi aprisionado no Abismo e os outros não?

Chega a ser frustrante o número de perguntas sem respostas na série, que podiam facilmente ser respondidas se o anime deixasse um pouco de lado as cenas humorísticas (não largar mão delas, mas simplesmente tirar algumas), pois são elas que fazem um anime que terminou tão bem se sentir superficial quando se olha para trás. Com certeza absoluta, se a pessoa dá 8 ou mais pra esse anime, é porque ela se esqueceu de quase tudo dos primeiros episódios e só se lembrou dos dois últimos, que são memoráveis mesmo, mas que ainda têm seus defeitos e que poderia ser melhor ainda facilmente.

Conclusão e Nota Final
Pelo menos, o anime tem muito pouco a esconder quanto à sangue, partes femininas e piadas apelativas... especialmente depois dessa cena...

Dá um nó no coração de dizer isso, mas me senti desapontado com o anime. Calma, desapontado não é sinônimo de ruim. Desapontado quer dizer que não respondeu às minhas expectativas. Se eu não fosse fã da Navel, provavelmente não assistiria o anime, e talvez  nunca procuraria uma análise da série devido à primeira impressão que o anime dá, e mesmo assistindo e vendo a história fazer sentido, muitas coisas ainda não são explicadas, dando a impressão que o anime foi feito por quem não planejou o storyboard direito, já que assunto a série tem de sobra.

Adaptações de visual novels cortam (muitas) coisas da obra original, de fato, mas eu esperava que um roteiro como o de Oretsuba, mesmo mal adaptado, faria muita gente se lembrar carinhosamente dele. Se você se lembra apenas dos últimos episódios dos animes que você viu, talvez aconteça isso com você, mas se você pôr na balança todos os demais episódios, garanto que não vai achar que valeu tanto a pena assim... ouviram, pessoas que dão 9~10 para Angel Beats sem nem terem lido a light novel ou o mangá?

Nota Final: 6,5/10

É um anime "bonzinho", apesar de ter potencial para ser fodelão. Não espere um anime com personagens yandere que ficam doidas pelo personagem principal, ou um nakigê estilão Clannad, ou uma história que têm tudo pra dar errado e no final dá certo. Oretsuba é um anime que fará você  sorrir e gostar de pelo menos uma das personagens, heroínas ou não, e se tiver um pouco de paciência, o anime te recompensa com seu final e com aquele gostinho que vai ficar no seu coração de "quero mais", de querer jogar a visual novel original e se aprofundar ainda mais no universo para responder suas perguntas mais pertinentes. Infelizmente, se você não tiver tanta paciência assim ou achar que não vale a pena aturar tanta coisa do anime apenas pelo seu final, então não tem jeito, melhor passar reto neste anime antes que você venha me xingar por não ter avisado dos defeitos dele.

"Tsubasa nante nakutatte... kaete kite yo..."

Bom, a análise termina aqui. Até a próxima, e... bem, só digo para esperarem ouvir esse nome mais vezes...
Out.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Da Capo III tomou C&D. Como que o gênero deveria crescer no Ocidente, afinal?


Triste notícia para aqueles que estavam esperançosos para a tradução em inglês de Da Capo III, pois a tradução da common route não está mais online (pelo menos não na Fuwanovel), já que o grupo tomou um C&D (Cease and Desist) da própria MangaGamer, que tem os direitos para a publicação dos jogos da Circus, a empresa japonesa produtora do jogo original, nos Estados Unidos.

Em um post ontem no seu blog, Aaeru, fundador da Fuwanovel, site de traduções de visual novels feitas por fãs do gênero e que são disponibilizadas para download sem qualquer custo e sem pedir doação alguma, obedeceu o pedido feito pelo advogado da empresa, mas criticou (do jeito que ele tanto gosta de escrever) o velho paradigma sobre direitos autorais que ainda continua a assombrar o mundo e como traduções feitas por fãs podem sim ajudar a alavancar as vendas das empresas, ao invés de comprometer a sua expansão para o Ocidente (basicamente o que o advogado alegou, em palavras mais pomposas).

Sabe, o mundo de "gente grande" é complicado, mas a grosso modo, basicamente funciona assim: se tem uma empresa que ganha dinheiro fazendo alguma coisa e tem um (ou vários) grupo(s) de pessoas fazendo a mesma coisa que essa empresa, mas disponibiliza de graça, esse(s) grupo(s) podem potencialmente prejudicar as vendas desta empresa, e portanto, são considerados ilegais. Isso abrange desde a pirataria convencional onde alguns afortunados compram um cd/dvd/blu-ray de música/série de televisão/jogo e "ripam" na internet, até grupos de tradução de animes e mangás e afins. E, como toda atividade ilegal, ela pode gerar multas ou até mesmo dar prisão dependendo do tamanho do furo que estiver dando no bolso de tal empresa ou terceiros.


Mas calma lá! Antes de sair criticando ou defendendo um lado da história em particular, vamos ver os pontos de vista dos dois lados. Afinal, como já disse em outros posts mais sérios do blog, o meu objetivo aqui não é ditar a verdade, mas esclarecer alguns fatos e possíveis dúvidas, fazendo com que o leitor saiba melhor do assunto e tenha uma visão mais aberta dos assuntos que abordarei aqui. Já que você leu isso, ótimo. Agora podemos continuar.

Não é novidade pra ninguém que a MangaGamer tem contratos com várias empresas produtoras de visual novels diversas, como a minori (ef ~A Fairy Tale of the Two~), Overdrive (Edelweiss, Kira*Kira, Dengeki Stryker), Innocent Grey (Kara no Shoujo) e Circus (Da Capo, Suika), apenas para dizer algumas. Para ter os direitos para poder traduzir os jogos dessas empresas e vendê-los mundo afora, ela paga essas empresas para tal, e claro, dependendo dos termos do contrato, essas empresas podem ou não aceitar a proposta da MangaGamer, fora aquelas empresas mais marrentas (*cofcofKeycofcof*) que querem que seus jogos saiam apenas para o Japão, sejam exclusivos para o Japão, e foda-se. Quer comprar o jogo? Vai ter que desembolsar uns bons trocados para comprá-lo de algum site de importação de produtos do gênero e vai se arriscar de pagar, na melhor das hipóteses, 50% à mais do preço original do jogo, e isso se não for pego pela alfândega... dependendo da sorte, até dá pra encontrar bons lugares para comprar tais jogos, como é o caso de sites como a AmiAmi ou PaletWeb, mas se o jogo que você quer é muito específico, já lançou faz um bom tempo, ou é aquela edição rara que você sempre quis, ou mesmo é de alguma empresa mais underground... infelizmente, suas chances caem drasticamente.

Bom, mas independente do que rola na cabeça fechada dessas empresas, empresas como a Jast USA e MangaGamer pagam para terem a exclusividade de lançar títulos de uma certa empresa, e pode apostar que não paga pouco não, já que é um risco para a produtora original caso as vendas deste título sejam um fiasco ou caso a imagem dela fique ruim no ocidente (tipo no escândalo de Rapelay). Como se não bastasse, essas empresas não tem tanto lucro como vocês devem estar pensando, já que, segundo o próprio fórum da MG, ela admite que já tem baixos níveis de vendas em seus lançamentos, além de que o lançamento de cracks ou torrents patcheados desses jogos nas redes de compartilhamento reduzem tremendamente o número de compras e downloads do título por meios oficiais.

Agora vamos raciocinar: você é dono de uma empresa que já tem um ninho de mercado pequeno e lucros quase que marginais. Se, de algum jeito, alguém pega o seu produto e começa a copiá-lo e distribuí-lo para este mercado, quem que vai comprar os produtos da sua empresa? É como dizem aqui no Brasil: "Pra que pagar se eu posso ter de graça?". Não é por menos que a partir de 1º de Abril, todos os jogos comprados em formato digital no site da empresa terão DRM, que é uma medida para diminuir a pirataria de seus títulos, algo que está se popularizando nos dias de hoje (e que já se provou extremamente frustrante, como em Driver:San Francisco, Diablo 3 e, mais recentemente, SimCity 2013)... e por mais que o pessoal critique, Steam têm todos os seus jogos funcionando na base do DRM também, mas ninguém reclama já que os preços que eles oferecem cobrem qualquer dor de cabeça que possa ocorrem disso.


Agora, de nada adianta falar nisso tudo sem vermos o outro lado da história. Afinal... como você conheceu visual novels? Olha, 99,9% dos casos se dá por 3, e apenas um desses 3, fatores. O cara só conhece visual novel se ele acompanhou uma série de anime/mangá/light novel que ele curtiu pra caramba e resolveu aprofundar (Fate/Stay Night e Clannad, estou falando dos seus fãs!), ou caso algum amigo já jogou e mencionou o termo ou um jogo desse gênero (Katawa Shoujo, um belíssimo exemplo!), ou você já é fã de RPGs e acabou se esbarrando em algumas das visual novels com elementos de RPG, tipo Utawarerumono e Kamidori Alchemy Meister. Se você conheceu o termo por pura sorte, seja por um vídeo no Youtube ou algum post de blog mais famoso, você está de parabéns, mas saiba que você é apenas uma minoria.

Enfim, ambas a Jast USA e a MangaGamer não possuem títulos tão reconhecidos assim nos seus armamentos. Ambas não têm um Clannad ou um Fate/Stay, mas ainda assim, temos traduções em inglês para eles (fora outras também, pelo reconhecimento dos jogos) e não foi por falta de encheção de saco por parte dos fãs, como você pode averiguar em vários sites e fóruns por aí. Agora, imagina se, ao invés disso, fossemos obrigados a pagar caro pela importação de um jogo e ainda ter que aprender japonês para podermos jogar o jogo? Já imaginou que injustiça que seria para os fãs de visual novels se apenas os títulos localizados oficialmente estivessem no ar?

É por esse motivo, de aproveitar o conhecimento que o grupo tem para tradução, edição e programação, que as equipes de tradução traduzem jogos de uma determinada franquia ou de determinado jogo que está ficando popular, ou jogos de uma empresa em especial. Eles não fazem isso para ferrarem com as empresas e produtoras originais, mas sim para tornar essas obras mais acessíveis ao público (e sem estar pirateando por assim dizer, já que esses grupos entregam só a tradução do jogo, e não o jogo inteiro).

É, também tem isso...
"Ah, Out, que visão mais ingênua. O aparecimento de equipes de tradução só contribuí ainda mais para a pirataria, já que esses jogos são facilmente acessíveis em sites e redes de compartilhamento."
Meio certo para o argumento acima. Uma parte está certo, pois de fato, se a pessoa pode ter o jogo de graça, ela não vai pagar, sei lá, 100 doletas pra cópia física do jogo, a menos que seja um fã bem die-hard (e endinheirado). Agora, a parte errada é não ter o jogo disponibilizado aqui no Ocidente e tentar proibir que esses grupos independentes lancem traduções para esses jogos. Aí, entramos num ciclo vicioso e que é muito difícil de sair dele.

Se o jogo não é bem reconhecido no Ocidente, as empresas não terão interesse de traduzí-los. Sem muitos títulos do gênero traduzidos, é muito difícil alguém se interessar espontaneamente nesses jogos, pois eles não têm alcance tão grande quanto os jogos mais populares. Se esses jogos não têm tanto alcance, cada vez menos empresas estarão interessadas em traduzí-los e começarão a atuar em diferentes áreas. Com cada vez mais jogos "convencionais" disponíveis e cada vez menos visual novels sendo traduzidas para o inglês ou seja lá qual for o idioma, as chances das pessoas jogarem esses jogos ao invés de visual novels serão maiores, e assim o ciclo continua, até, eventualmente, os jogos permanecerem exclusivos para o público japonês, assim como era até a primeira metade da década passada.

Grupos de traduções de visual novels surgiram para quebrar este ciclo, pois por mais que a grande maioria dos jogadores baixem os jogos dessas traduções, esses jogadores poderão presenciar uma história que do contrário eles nunca leriam. Para as pessoas que gostaram muito do jogo, elas vão compartilhar seus sentimentos ao jogar o jogo com seus amigos, provavelmente irá comprar os jogos subsequentes desta empresa, passará a se interessar cada vez mais pelo gênero, e claro, espalhará a notícia, fazendo com que cada vez mais pessoas conheçam o gênero, expandindo o ninho de mercado que falei uns bons parágrafos atrás. E se o problema for mesmo as vendas, temos inúmeros serviços que provam que, mesmo colocando um preço ridiculamente baixo no produto, ele pode ter muito lucro. É só olhar para Netflix, Hulu, a própria Steam e seus derivados, algumas editoras de mangás americanas que disponibilizam a leitura de quantos mangás quiser pagando uma assinatura ridícula, Crunchyroll, novos planos de operadoras de celulares, e mais uma infinidade de outras empresas que ingressaram nos "micro-planos". Por que não fazer o mesmo para visual novels?

Se essas empresas fossem espertas mesmo (como foi o caso da Jast USA com a TLWiki), elas não reprimiriam esses grupos, mas sim, saberiam trabalhar com eles, seja recrutando-os para serem tradutores oficiais, ou para dar conselhos para qual jogo traduzir, ou para apressar o processo de tradução dos jogos. Tacar C&D neles não vai diminuir a pirataria e muito menos tornará o gênero mais popular. Vale lembrar que os tradutores de VNs, na maioria das vezes, são os maiores fãs dos jogos que ela traduz e os que mais contribuem para que a empresa e seus jogos façam sucesso. Afinal, para a MG e a Jast USA surgirem, com certeza elas viram um mercado que tem potencial (novamente, por causa das traduções não comerciais e das comunidades/fan-bases e fóruns relacionados a esses grupos ou para o gênero) e começaram a investir nele. Atacar os grupos de tradução como "empecilho para as vendas" seria como dar um tiro no próprio pé. Parafraseando o grande Sun Tzu, "Aquele que sabe quando pode batalhar e quando não, será o vitorioso."


Eu sei que o grupo de tradução já estava errado pra começo de conversa porque a MG já anunciou que iria traduzir DCIII mais cedo ou mais tarde, mas que este post valha como um post mais "polêmico" sobre se os grupos de tradução deveriam continuar a existir ou não.

... e você, o que acha? Acha que grupos de tradução deveriam existir como sempre existiram para que o gênero seja mais difundido no resto do mundo? Ou acha que o melhor caminho é deixar tudo nas mãos da MangaGamer e da Jast USA (e outras, se surgirem) porque elas sabem o que estão fazendo? Gostaria de ler o seu comentário!
Out.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Kick Start Generation é lançado, confira o novo Fate/Extra CCC!


Vocês já sabem que eu particularmente adoro jogos da Overdrive. Seus jogos quase sempre cativam o jogador com a sua história logo nos primeiros minutos de jogo, traz personagens engraçadas e bem únicas, além de uma história que se desenvolve de maneira inexplicavelmente emocionante, virando jogos memoráveis para comparação de muitos jogadores de visual novels por aí.

Após o lançamento de seu mais novo jogo, Boku ga Tenshi ni Natta Wake, que quebrou com muitos tabus da empresa e mesmo assim se tornou num jogo surpreendente, a empresa lançou hoje mesmo um DVD/Blu-Ray de um OVA de crossover dos três jogos dela que envolvem bandas musicais: Kira*Kira e a banda D2B, Deardrops com a sua banda homônima, e Boku ga Tenshi ni Natta Wake, com a banda Cas., mostrado no vídeo abaixo.


Hoje eles também lançaram uma prévia da "apresentação" da banda Deardrops do OVA, como você pode ver a seguir.


Eu particularmente gosto mais das músicas de Kira*Kira e Deardrops (também por estar mais acostumado a elas do que as músicas da Cas, por não ter jogado tanto do jogo), então curti mais esse novo vídeo, mas de um jeito ou de outro, mal posso esperar para sair o OVA para eu poder assistir e ficar babando mais nas minhas personagens favoritas do jogo.

Porque se eu falar que o jogo só vai vender por causa da Saber com peitos e vestido de noiva...
E o novo spin-off do Nasuniverso saiu para o portátil antigo da Sony, para a alegria dos fãs. Fate/Extra CCC é a continuação do jogo anterior, Fate/Extra, localizado para o inglês oficialmente pela Aksys, e será jogado de forma similar, como você confere no vídeo abaixo:


Ô DESGRAÇA!
Eu bem que falei que estava esperançoso por esse jogo, que eles iriam corrigir o incrivelmente falho sistema de batalha "jokenpô cego" com skills, com batalhas extremamente repetitivas, pouca variação de inimigos e história que terminou do pior jeito possível... bom, sobre o final eu não posso falar nada para Extra CCC, mas poxa vida, eu crente que eles mudariam o sistema de batalha para algo mais tangível e emocionante que esse...

Bom, pelo menos, pra quem gosta de jogo assim, uma tradução deverá sair no final do ano ou no máximo no ano que vem (apesar de que deve lançar na PSN apenas, já que o PSP já anda obsoleto até mesmo pras visual novels japonesas ultimamente)... e hey, já contei que a tradução de Hollow Ataraxia para o inglês está quase no fim? Será um bom aperitivo enquanto a tradução não chega, né? xDD


E eu fico por aqui. Até a próxima!
Out.

terça-feira, 26 de março de 2013

O meu Pastel é o Melhor!

Hoje pode não ter post, mas tem um vídeo bacana da ressureição da nossa série Derpin' Out!

Espero que gostem xD


Out.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Freezing ganhará nova temporada, confira o trailer de FF X/X-2 em HD


Gosta de batalhas? Gosta de matança? Gosta de mulheres brigando entre si de maneira que você provavelmente nunca viu? Pois este ano você estará feito, pois Freezing ganhará mais uma temporada, como revela o volume mais recente do mangá lançado no Japão.

Freezing conta a história de uma escola que forma alunos para lutar contra os Novas, alienígenas que invadiram a Terra por um motivo misterioso. Para isso, os alunos lutam em duplas, sendo a mulher, mais velhas que o homem e chamadas de Pandora, fazem a parte da batalha enquanto o homem, os Limiters, restringem os movimentos e ações dos Novas. A história fica bem maneira com o passar dos volumes, então é uma ótima notícia saber que o anime de 2011 não terminará "apenas" do jeito que terminou.

O mangá é lançado aqui no Brasil também e está atualmente no volume 9, então podemos dizer que, até o lançamento do anime (e se a JBC não pausar a publicação no meio-tempo), estaremos acompanhando a nova temporada juntinho com o mangá físico. Olha só que beleza!

Infelizmente, não temos uma data fixa para o lançamento desta nova temporada, mas como eles já começaram a produção, é seguro dizer que veremos mais Satellizer e companhia ainda neste ano.


É, e enquanto não temos notícias sobre o próximo jogo da franquia (e talvez para apaziguar os fãs que odiaram os últimos jogos da franquia), a Square Enix estará lançando ainda neste ano uma versão remasterizada em HD de Final Fantasy X e Final Fantasy X-2 para PSVita e PS3, como você pode ver (ou já viu) no trailer acima.

O jogo foi originalmente lançado para PS2 em 2001 e teve uma boa recepção pelo público, por ser o primeiro jogo da série a entrar na sexta geração de consoles e ter um pouco de tudo que os fãs dos jogos anteriores gostavam, além de chamar bastante atenção de quem ainda não tinha ligado pra série. Os fãs mais ávidos podem discordar, mas de um jeito ou de outro, o anúncio de uma remasterização do jogo faz parte da estratégia da empresa japonesa até o anúncio do próximo jogo da série (que cruzemos os dedos que não decepcione tanto).

Podemos ver uma melhora significativa nos visuais do jogo, mas também não é nada que me faça comprar um Vita pra isso, ainda mais pelo fato que os ports para a versão do portátil da Sony sairá separadamente, enquanto o PS3 receberá ambos os jogos no mesmo Blu-Ray. Uma data específica para o jogo não foi definida, mas pelo menos teremos todo o conteúdo da versão internacional presente, o que é um alívio.


Isso é tudo por hoje. Até a próxima!
Out.