sexta-feira, 26 de abril de 2013

Análise [8] - Dra+Koi - A fascinante (e hilária) história de um dragão e um humano


Se você já acompanha o blog há algum tempo, provavelmente sabe que eu sou muito fã da Nitro+, a mesma produtora de tantos jogos excelentes como Saya no Uta, Zanmataisen Demonbane, Sumaga, Phantom of Inferno, e claro, a trilogia de jogos que eles fizeram em parceria com a 5pb, Chaos;Head, Steins;Gate e Robotics;Notes.

Bem, e adivinha só: Dra+Koi, um jogo também da Nitro+ lançado em 2005, recentemente teve sua tradução para o inglês pela TLWiki, curiosamente o mesmo grupo de fan translation que fez parceria com a Jast USA para traduzir jogos na legalidade (incluindo os da Nitroplus)... e se você se pergunta "como isso é possível?", pra resumir a história, a tradução feita por moogy, o dono da TLWiki, havia sido completada há anos, mas que como a tradução demoraria muito para sair comercialmente (já que teriamos que esperar lançar Hanachirasu e Sumaga primeiro), ele decidiu lançá-la de graça depois de uma retradução do jogo e de tanta espera... curiosamente ou não, ele não está fazendo mais parte da Jast USA... coincidência, ou será que não?

De qualquer jeito, Dra+koi foi lançado num fandisk da Nitro+ juntamente com Nitro Wars, um joguinho de shooter com personagens de jogos anteriores da empresa, e Kagen Seito, uma coleção de finais alternativos para Hanachirasu. Por ser um fandisk, esses outros jogos apelaram para o público mais fã da empresa, mas incrivelmente, Dra+koi é muito mais que um mero fan-service que você vê por aí com finais alternativos e after stories. Com uma história original e clima extremamente viciante, Dra+Koi talvez seja uma das gemas mais obscuras do mundo das visual novels, mas agora que ela teve sua merecida tradução para o inglês, nada mais justo que fazer uma análise dela, não?

Então, vamos lá!

História e Rotas
A narrativa começa séria e misteriosa, o que chama a curiosidade dos jogadores.
O jogo se passa em uma realidade alternativa, onde, há 50 anos, dragões invadiram o mundo real, causando destruição por toda parte. Um cientista misterioso inventou uma arma capaz de derrotar tais dragões, mas ele eventualmente se matou, levando consigo talvez a única arma capaz de extinguir os dragões deste mundo.

O país (Japão?) até criou mais tarde uma divisão das forças armadas justamente com o intuito de combater estes dragões, e depois de um longo período de paz com esses seres mitológicos, eles reaparecerem, tornando todas as armas dos humanos inúteis. Um misterioso herói em armadura negra aparece no meio do caos e consegue, após uma intensa batalha, fazer o dragão (e ele mesmo) desaparecer.

O protagonista, que presenciou o conflito todo e conseguiu milagrosamente sobreviver, estava a caminho de casa quando foi surpreendido por uma garota misteriosa, que quer... comer ele... literalmente. Assim, começa a curiosa história entre os dois personagens, onde o protagonista pouco a pouco vai descobrindo o real sentido da existência dos dragões naquele mundo e tenta descobrir porque esta garota se apegou tanto a ele.

O jogo é bem curto, tendo um final ruim, um normal, e o final verdadeiro, e dá pra alcançar todos em 3 horas e meia (afinal, são apenas 2~4 escolhas). Eu sinceramente desejava um jogo mais longo pelo tanto que a história te prende, mas enfim, é um fandisk, então... vamos prosseguir.

Traços, Trilha Sonora e Animação
O humor dessa visual novel é inigualável, sério mesmo! 
Os traços do jogo são belíssimos. Ele possui mais CGs que os jogos de mesma duração (ou pelo menos a maioria deles) e atingem o padrão de excelência cuja qual a Nitro+ já é bem conhecida. O protagonista e a heroína são bem desenhados, e modelos em 3D como os do dragão e do herói em armadura negra também são bem feitos considerando o ano que o jogo foi desenvolvido.

A trilha sonora é extremamente viciante, por mais que tenha apenas 10 músicas. São riffs frenéticos de guitarra para as batalhas, harpas transcedentais para as cenas de mistério, e músicas que simplesmente dão uma sensação de bem-estar ao serem ouvidas. Sério, são músicas que arrepiam mesmo um bom tempo depois de jogar o jogo... e vale lembrar que não estamos falando de um nakige aqui, então nada de comparações com nakiges!

A animação é muito boa, mas também tem suas limitações. As animações não se passam de algumas transições mais bonitas, o movimento de algumas CGs e portraits e superposição entre duas ou mais delas para dar um efeito bem bacana. Não é nada que surpreenda caso você tenha jogado, digamos, títulos mais novos da Navel e da Overdrive, mas ainda assim se mantém forte até hoje.

Opinião
Hue! IMMA FIRIN' MAH LAZOR!
Tem gente que diz que fandisk geralmente não tem história (tipo eu, né!), e de fato a grande parte deles não têm. Só que estamos tratando de uma exceção aqui, provando que um jogo pode ser curto, ser distribuído na forma de fandisk junto com mais alguns bônus, e ainda assim, ter uma história cativante, forte narrativa, sem enrolação (ou pelo menos, o suficiente para ainda o manter interessado no jogo), e enquanto a parte mais séria da história não se desenvolve por completo, muitas cenas de ação e de comédia são jogadas para o jogador.

Na boa, Dra+Koi não deixa pedra sobre pedra quando se trata de comédia. Logo após os primeiros minutos do jogo que são extremamente sérios e misteriosos, o protagonista começa a narrar as cenas que ele testemunha de um jeito inigualavelmente engraçado, soltando umas boas referência com séries clássicas de animes e de outros jogos da Nitro+, e quando junta com a heroína e seu anseio pelo protagonista e a responsável (uma "mãe", entre aspas mesmo) que tem um desejo sexual quase incontrolável pelo "filho", você rirá à cada 10 linhas de diálogo (e nem estou exagerando). Desde cenas clássicas mas ainda engraçadas até momentos hilários nas H-Scenes, o jogo não falha em trazer um sorriso no rosto do jogador.

Agora, mesmo se você gosta de jogos com história e com ação, Dra+koi ainda consegue brilhantemente juntar esses momentos na cronologia do jogo. Entre certos capítulos e batalhas, há um interlúdio de um narrador neutro que cita histórias e cenários aparentemente sem qualquer nexo com a história, mas que pouco a pouco vai fazendo sentido, explicando ainda mais da história dos dragões no mundo e até dando uma boa lição de mitologia. Quanto às cenas de ação, elas não são simplesmente narradas com extremo detalhismo ou simplesmente narradas de qualquer jeito, mas até trocando de pontos de vista entre os personagens principais da história, esboçando seus sentimentos mais inerentes e a bagunça que a mente deles ficam quando estão numa batalha de vida ou morte, dando um clima bem mais forte e inesquecível às cenas da visual novel.

Infelizmente, nem só de elogios a minha análise será formada. Primeiro, vem a curta duração, que eu sinceramente fiquei esperando por mais, mesmo para um fandisk. Segundo, vem a presença de muito poucos personagens, que por mais que a história se fecha muito bem apenas com 3 ou 4 deles, achei que poderiam incluir mais alguns para dar um ar mais misterioso na trama. Além disso, nenhuma das personagens possuem vozes em nenhuma das cenas e são poucas as escolhas que o jogador pode fazer durante o jogo... mas, sinceramente... nenhum desses defeitos conseguem tirar o grande brilho que esta visual novel possui, uma vez que a história consegue terminar dando uma explicação plausível para tudo (dentro do universo que ele se desenvolve, claro).

Veredito Final
 Pontos Fortes 
      *Jogo extremamente viciante
      *Equilíbrio entre cenas mais sérias e cenas (excepcionalmente) engraçadas
      *História envolvente
      *Qualidade da trilha sonora e das CGs
      *H-Scenes não desapontam
      *A conclusão da história

 - Pontos Fracos
      *Muito curta: dá para completar em 3 horas, no máximo, com mais meia hora para obter 100% de tudo
      *Poucos personagens
      *Sem dublagem para as personagens.

Nota: 8,0/10

Opinião final: Visual novels são difíceis de agradar todos os gostos ao mesmo tempo. Tem gente que só gosta de uma boa história, outros que gostam de ação, outros que gostam apenas da putaria, e outros que não tem tanto tempo livre para se dedicar com visual novels exemplares como Kira*Kira, Higurashi e Da Capo. Dra+Koi consegue juntar tudo isso numa harmonia sem precedentes, mesmo se comparado com Planetarian ou outros jogos de duração semelhante.

Não importa qual o motivo de você gostar de visual novels, ou mesmo se você não gosta, este jogo terá algo que te agrade, e você terá uma grande probabilidade de se apaixonar (de novo) pela empresa e seus belíssimos jogos. O jogo é curto, mas também possui várias cenas ocultas e alternativas para cada sequência de escolhas que você faça, além de fazer você saborear cada momento jogando este jogo, cada palavra lida, cada sorriso feito, cada arrepio, cada nota musical da trilha sonora.

Um conto envolvendo romances, histórias, fantasias e sonhos o espera, num mundo onde a fantasia dá sentido à realidade e vice-versa. Num mundo onde um simples desejo, um simples instinto, mesmo que egoísta, pode mudar a vida de alguém por completo.


E com isso terminamos mais uma análise de visual novel. Espero que tenham gostado, e tenham um ótimo final de semana!
Out.

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